Um grande número de manifestantes está a desfilar esta sexta-feira novamente nas ruas da capital da Argélia, um mês após o início da contestação, pedindo a saída do Presidente Abdelaziz Bouteflika, constataram jornalistas da agência France Presse.

Segundo a AFP, o número de manifestantes é difícil de determinar, mas um cortejo compacto com mais de dois quilómetros ocupa uma das principais avenidas que convergem para a praça da Grande Poste, com o emblemático edifício dos correios perto da sede do governo no centro de Argel, que também está cheia.

Apesar dos aguaceiros, a mobilização parece semelhante à das duas anteriores sextas-feiras, considerada excecional pelos meios de comunicação e analistas argelinos. “Saiam todos”, proclama um cartaz visível no cortejo, dominado como semana após semana pelas cores da bandeira argelina, verde e branco, com o crescente e a estrela vermelhas.

De acordo com a imprensa argelina e as redes sociais, estão a ocorrer manifestações também em várias outras cidades da Argélia. As manifestações sem precedentes contra Bouteflika, no poder há 20 anos, têm sido pacíficas, com exceção de confrontos isolados em Argel à margem dos protestos.

Com 82 anos e debilitado por um AVC desde 2013, o Presidente renunciou a 11 de março a candidatar-se a um quinto mandato face à contestação nas ruas desde 22 de fevereiro. O chefe de Estado adiou na mesma altura as presidenciais previstas para 18 de abril, prolongando assim o seu mandato que devia terminar a 28 de abril até à realização de uma Conferência Nacional encarregada de reformar o país e elaborar uma nova Constituição.

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Os manifestantes designaram as propostas de Bouteflika como “truque” e a contestação não parece diminuir. Segundo a AFP, todos os manifestantes interrogados garantem estar prontos para marcharem o tempo “que for preciso” para que Bouteflika e os que o acompanham no poder se vão embora.