Elétricos

Confidencial. Como a Volkswagen pressiona Governo

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Revelado documento atribuído à Volkswagen, em que a marca pressiona o Governo alemão a adoptar medidas que prejudiquem veículos a combustão e híbridos plug-in para acelerar transição para eléctricos.

Ao longo de 23 páginas, todas elas marcadas como “confidencial”, a Volkswagen insta o Governo alemão a implementar uma série de medidas que estimulem rapidamente a transição para os veículos eléctricos a curto prazo. Isto numa altura em que o construtor de Wolfsburg está a cerca de um ano de começar a introduzir no mercado a sua nova geração de modelos movidos exclusivamente a bateria, sem os quais não conseguirá cumprir as redefinidas normas europeias que limitam as emissões de CO2, com o tecto a ser cada vez mais apertado.

Em 2021, os fabricantes que vendem na Europa estão obrigados a ter uma gama que, em média, não emita mais que 95 g/km de CO2, estando igualmente obrigados a ter 30% do seu portefólio electrificado – o que os ajudará, naturalmente, a cumprir as novas metas. Mas, em 2030, o aperto vai ser ainda maior, pois a União Europeia definiu que, nessa altura, os novos limites serão menos 37,5% do que os valores registados em 2021. Neste quadro, a Volkswagen estima (e assumiu-o publicamente) que, dentro de uma década, 40% das suas vendas deverão ser representadas por veículos eléctricos. Nos quais, aliás, previu um investimento de 50 mil milhões de euros até 2025, só para garantir que vai ter as baterias de que precisa.

Para tirar o mais rapidamente possível proveito desse musculoso investimento, a Volkswagen enviou um documento ao Governo alemão, a que o Süddeutsche Zeitung teve acesso, denominado “Abordagens e sugestões para melhorar a promoção da mobilidade eléctrica na Alemanha”. Onde, basicamente, não só pede um incondicional apoio para os veículos eléctricos, como incentiva a penalizações para as restantes alternativas de locomoção.

Uma das medidas sugeridas passa pela alteração do quadro fiscal, de modo a que só os BEV tenham acesso a benefícios. A ponto de até os híbridos plug-in (PHEV) serem visados, com a marca alemã a propor ao Governo que reduza para metade os incentivos fiscais que sobre eles incidem, passando de 3.000€ para 1.500€, no período de 2020 a 2022. Depois disso, “bola”. Ou seja, os modelos electrificados – em que a própria Volkswagen e Audi estão a investir, já para não falar da Mercedes e da BMW, perderiam qualquer tipo de ajuda estatal. E mais: sugere a Volkswagen que os impostos que recaem sobre este tipo de modelos passem a ser iguais aos aplicados aos veículos movidos a gasolina ou a gasóleo até 2023, isto enquanto os 100% eléctricos só pagariam metade.

Tudo para os eléctricos, nada para os outros

Esta parece ser a posição da marca alemã que, aliás, quando confrontada com o documento a que o Süddeutsche Zeitung teve acesso, não negou a sua existência, nem o seu teor.

Para o construtor de Wolfsburg, acelerar a transição para a mobilidade eléctrica implica ter mão pesada em tudo o que prejudique os utilizadores deste tipo de veículos. Assim, por exemplo, sugere multas pesadas para quem estacionar nos pontos de recarga, bloqueando o acesso ao carregamento de veículos eléctricos. E, para facilitar esta operação, a Volkswagen entende que deveria ser obrigatório ter pontos de recarregamento das baterias não só nas áreas de serviço, mas também em locais de muito frequentados, como é o caso dos supermercados. E de onde é que viria o dinheiro para suportar a ampliação da rede de carregamento? De um fundo constituído especificamente para esse efeito e para o qual contribuiriam Governo, as empresas de energia e os próprios fabricantes de automóveis. Estima a Volkswagen que o investimento na infra-estrutura deveria duplicar, fixando-se nos 600 milhões de euros, prevendo desde logo que apenas um tipo de plug, para unificar as tomadas.

Eliminar todas as barreiras que impeçam a rápida homologação dos BEV é outra das ideias explanadas no documento, a par de um esquema de incentivos à sua aquisição, baseado no critério do tamanho: quanto mais pequeno, melhor. Os segmentos A e B seriam, claramente os beneficiados. Desde logo, porque a Volkswagen propõe que eléctricos até 20.000€ tenham direito a electricidade à borla. Depois, porque sugere um incentivo de 5.000€ para modelos com até 4 metros e 200 km e autonomia. Com mais de 4,65 metros, o incentivo do Estado deve baixar para 2.000€. o que significa que, à cabeça, todos os modelos da Tesla ficam excluídos de apoio. A que se irão juntar também os eléctricos das três marcas premium alemãs (Audi, Mercedes e BMW), embora estas estejam igualmente a preparar modelos abaixo para os segmentos de entrada.

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