“O pior erro que poderíamos cometer era, à boleia do crescimento económico, termos a ilusão de que os problemas estruturais da zona euro ficaram resolvidos”, defende António Costa, que deu uma entrevista ao Público que será publicada este domingo e onde o primeiro-ministro diz que a moeda única foi um “bónus” para a economia alemã. Numa entrevista em que, a julgar pelo excerto publicado para já, se focou essencialmente em questões europeias, e não na política interna, o primeiro-ministro mostrou-se, também, favorável à introdução de impostos europeus.

António Costa defende que, na criação da moeda única, houve um “excesso de voluntarismo político” e nem todos terão percebido que “o euro foi o maior bónus à competitividade da economia alemã que a Europa lhe poderia ter oferecido”. Agora, a menos que se tomem medidas de correção das assimetrias, “a zona euro será mais uma vez confrontada com uma crise como a que vivemos agora”.

O objetivo de todos os líderes europeus deve ser evitar que se volte a cometer “o erro que nos acompanhou desde 2000 até 2011”, isto é, marcar passo nas reformas. E uma das principais ferramentas de que a zona euro necessita é de um orçamento da zona euro destinado a financiar reformas para acelerar a convergência das economias.

Com a saída do Reino Unido e com a necessidade de investir na segurança, na defesa e na ciência, António Costa defende que “ou estamos disponíveis para sacrificar a parte do Orçamento afeta às políticas de coesão e à PAC, ou temos de encontrar outras fontes de receita”. Onde? Mais contribuições dos Estados, isto é, “mais impostos dos portugueses”, ou receitas próprias criadas pela União, nomeadamente através de impostos europeus.

Bruxelas quer criar impostos europeus para contribuintes dos Estados-membros?