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Universidade de Coimbra

Cientistas desenvolvem tecnologia para proteção de pessoas e bens em incêndios

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Entre os três sistemas de proteção está uma tela "para proteção de pessoas em viaturas", "uma cerca para proteção de habitações e aglomerados populacionais" e "um sistema de aspersão"-

Estas soluções inovadoras foram desenvolvidas por investigadores da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra e já originaram quatro pedidos de patente

MIGUEL A. LOPES/EPA

Investigadores da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) desenvolveram três sistemas de proteção de pessoas e elementos expostos a incêndios florestais, designadamente uma tela para proteção de pessoas em viaturas, foi esta segunda-feira anunciado.

Um grupo de 25 investigadores da Associação para o Desenvolvimento da Aerodinâmica Industrial (ADAI) e do Instituto de Sistemas e Robótica (ISR), da FCTUC, criaram “três sistemas tecnológicos de proteção de pessoas e elementos expostos a incêndios florestais, designadamente uma cobertura (tela) para proteção de pessoas em viaturas”, afirma a faculdade, numa nota enviada esta segunda-feira à agência Lusa.

Além da tela, os cientistas inventaram “uma cerca para proteção de habitações e de aglomerados populacionais, e um sistema de aspersão capaz de reduzir o impacto do fogo nas estruturas dos edifícios“, adianta a FCTUC.

Estas soluções foram construídas no âmbito do projeto ‘Fire protect’ (Sistemas de Proteção de Pessoas e Elementos Críticos Expostos ao Fogo), coordenado por Domingos Xavier Viegas.

De acordo com o catedrático da FCTUC, este projeto “foi inspirado no trabalho” que tem vindo a ser desenvolvido, “há décadas, com o objetivo de aumentar a segurança de populações e bens, facilitando o trabalho aos agentes de combate ao fogo, e de evitar tragédias como as que ocorreram em 2017” em Portugal, sobretudo na região Centro.

A tela de proteção de pessoas em viaturas, nomeadamente em autotanques de bombeiros, é refletora e resistente ao fogo, refere a FCTUC.

Dos vários testes realizados, quer em laboratório, quer no terreno, verificou-se que “são sistemas resistentes ao fogo e que podem garantir condições de sobrevivência a pessoas que estejam dentro de uma viatura”, assinala, citado pela FCTUC, Domingos Xavier Viegas.

Também bastante promissores foram os testes realizados com a cerca de proteção de casas e de aglomerados populacionais.

Embora os cientistas ainda se encontrem a explorar diversos formatos possíveis, a solução mais simples e prática já adotada consiste num sistema constituído por aspersores de água, um mecanismo de bombagem autónomo, com motor a diesel ou elétrico, permitindo ser operado mesmo em caso de falha de energia elétrica, e por um reservatório de água”, refere a FCTUC.

As experiências realizadas, com vegetação real e com fogos de grande intensidade, demonstraram que, “com recurso a uma pequena quantidade de água, o sistema molha a vegetação de forma eficaz e consegue proteger um perímetro de algumas centenas de metros. Verificámos que quando as chamas chegam junto dessa zona humedecida baixam a sua intensidade”, salienta o coordenador do ‘Fire protect’.

Com esta cerca, “pretende-se dar condições adequadas, por exemplo, a residentes que estejam a tentar proteger as suas casas quando o fogo se aproxima, para que o possam combater em segurança evitando que estejam à última hora a correr com baldes, mangueiras, etc., o que muitas vezes falha, bem como facilitar o trabalho aos agentes de combate aos incêndios”, clarifica Domingos Xavier Viegas.

Já o sistema de aspersão, dedicado a proteger a construção, é instalado no próprio edifício. Quando se aproxima um incêndio, asperge água para humedecer o telhado e as paredes de forma a reduzir as consequências do impacto do fogo.

Estas soluções inovadoras, que originaram quatro pedidos de patente, “são soluções robustas, profissionais e eficazes”, e “podem inclusive ser automatizadas”, destaca o especialista em incêndios florestais da FCTUC.

“No caso dos sistemas da cerca e de aspersão, o objetivo é proteger os edifícios mesmo quando os proprietários estão ausentes. Por isso, vamos dotar os equipamentos com sensores capazes de identificar um incêndio e emitir alertas que permitam ativar o sistema remotamente”, acrescenta.

Os investigadores estão agora a desenvolver soluções especializadas para a indústria, estando, por exemplo, a estudar instrumentos que protejam estruturas críticas como redes de telecomunicações e de energia elétrica.

Nesse sentido, já existe o interesse por parte de uma operadora de comunicações móveis: “Foi-nos pedido para encontrar um sistema de proteção das antenas que estão espalhadas pela floresta, para evitar a destruição do equipamento de rádio que faz a transmissão de sinal” — nos incêndios de 2017 “centenas destes dispositivos foram destruídos pelas chamas”, concretiza Domingos Xavier Viegas.

Com o objetivo de explorar os resultados do projeto, foi já constituída uma ‘spin-off’. Os investigadores pretendem estabelecer parcerias tendo em vista a comercialização da tecnologia desenvolvida.

Das três soluções propostas pelas equipas da ADAI e do ISR, se a indústria mostrar interesse, o sistema de proteção de casas e de aglomerados populacionais poderá chegar ao mercado já este ano.

O projeto ‘Fire protect’ teve um financiamento europeu de 700 mil euros, através do programa Mais Centro, da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC).

A equipa da ADAI é responsável pela caracterização das chamas, avaliação do impacto do fogo e desenvolvimento experimental em laboratório e no terreno, assim como pela implementação de pilotos e protótipos, sendo o ISR o grupo responsável pelo desenvolvimento de sensores e automação dos equipamentos.

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