Timor-Leste

Compra de participação timorense no Greater Sunrise adiada devido a regulador australiano

A compra da participação maioritária de 56,6% pela petrolífera Timor Gap no consórcio do Greater Sunrise vai ser adiada "pelo menos até 5 de abril", a pedido do regulador australiano.

O regulador australiano examina propostas de estrangeiros que queiram investir na Austrália e faz recomendações ao Tesouro pelo que, no caso do consórcio dos poços do Greater Sunrise, o seu visto é essencial

ANTONIO DASIPARU/EPA

A compra de uma participação maioritária no consórcio do Greater Sunrise pela petrolífera timorense Timor Gap, por 650 milhões de dólares (cerca de 575 milhões de euros), terá que ser adiada pelo menos uma semana a pedido do regulador australiano, disse o presidente da empresa.

Francisco Monteiro, presidente e diretor executivo da Timor Gap, disse à Lusa que o adiamento, pelo menos até 5 de abril, foi pedido pelo Foreign Investment Review Board (FIRB) australiano, que tem que se pronunciar sobre a operação.

O FIRB examina propostas de estrangeiros que queiram investir na Austrália e faz recomendações ao Tesouro pelo que, no caso do consórcio dos poços do Greater Sunrise, o seu visto é essencial.

Monteiro disse à Lusa que apesar do adiamento, Timor-Leste não será ‘multado’ pelas empresas vendedoras — os contratos de compra e venda definem que a compra tem que ocorrer até 31 de março — já que o adiamento não é da responsabilidade timorense.

O contrato prevê uma ‘multa’ diária de quase 48 mil dólares (aproximadamente 42 mil euros), por cada dia de atraso na concretização da operação.

A previsão inicial, explicou, era de que o FIRB anunciaria a sua decisão até 27 de março, permitindo a Timor-Leste concluir a compra das participações da ConocoPhillips e da Shell. “Eles pediram mais uma semana até 5 de abril”, disse.

Praticamente todo o restante procedimento técnico para permitir a operação está já concluído, tendo a Timor Gap assinado o acordo com o Banco Central de Timor-Leste (BCTL), entidade que controla o Fundo Petrolífero timorense, de onde virão os fundos para a compra.

Com a concretização do negócio, acordado no ano passado com as petrolíferas, Timor-Leste assumirá uma participação maioritária de 56,6% no consórcio do projeto onde estão ainda a petrolífera australiana Woodside, como operadora, e a Osaka Gas.

Numa recente entrevista à Lusa, Francisco Monteiro disse que Timor-Leste quer evitar recorrer ao Fundo Petrolífero (FP) para financiar os custos de capital (CAPEX) de até 12 mil milhões de dólares  (10,6 mil milhões de euros) para o desenvolvimento do projeto do gasoduto para Timor-Leste e processamento na costa sul.

Após o início da produção, é esperado um retorno financeiro que pode alcançar os 28 mil milhões de dólares (24 mil milhões de euros), explicou o responsável.

“A nossa estimativa conservadora é de que pelo menos 28 mil milhões entrarão no FP do Greater Sunrise, sem contar outros benefícios económicos como empregos criados, por isto ocorrer em Timor-Leste”, disse Monteiro.

No cenário mais conservador de lucros, as contas da Timor Gap assentam na previsão de que o Greater Sunrise tem reservas de 4,6 triliões de pés cúbicos de gás e 226 milhões de barris de petróleo, com um preço de 62,5 dólares por barril.

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