O agente secreto que liderou a operação de captura do nazi Adolf Eichmann — um dos principais mentores do genocídio de judeus — morreu este sábado, num hospital em Telavive. Rafi Eitan tinha 92 anos. E uma vida de serviço a Israel.

O famoso espião da Mossad protagonizou um dos episódios da história que serviram de inspiração a livros e filmes de espionagem: a captura do nazi, que vivia na Argentina com uma identidade falsa, desde o final da II Guerra Mundial. A operação foi então conduzida por Eitan, em maio de 1960.

Adolf Eichmann foi uma das figuras centrais do período do Holocausto, tendo sido um dos seus principais “arquitetos”. Depois de capturado, em 1960, foi sequestrado, levado para Israel e julgado naquele país. Foi considerado culpado por crimes de guerra e contra a humanidade, sendo então condenado à morte pelo genocídio de milhões de judeus. Morreu enforcado em 1962, em Israel.

Foi também a propósito desta operação que o famoso espião israelita participou este ano num documentário da Netflix, chamado “Inside the Mossad” — onde relatou a missão de captura do nazi e também outras operações das secretas israelitas.

Eitan nasceu em novembro de 1926, numa comunidade de voluntários judeus, na Palestina, então sob o domínio dos britânicos. Era filho de emigrantes russos. Desde pequeno lutou pela causa israelita, tendo chegado a ser considerado pelo presidente de Israel, Reuven Rivlin, “um combatente nato que se entregava à missão e àquilo que considerava justo”.

Também o primeiro-ministro israelita reagiu à notícia da morte de Eitan. Em comunicado, Benjamin Netanyahu falou num “amigo próximo”. “Rafi era um dos heróis dos serviços de inteligência do Estado de Israel, com múltiplas ações a favor da segurança de Israel”, escreveu.

Rafi Eitan, chefe de operações da Mossad, e que dedicou a sua vida à missão, ficou ainda associado a uma crise diplomática entre Israel e os Estados Unidos. Isto porque os norte-americanos terão descoberto que Eitan era o agente de ligação com um analista da Marinha dos Estados Unidos, Jonathan Pollard, que foi recrutado como agente duplo pelos israelitas.

Pollard acabou preso, tendo sido condenado a 30 anos de prisão (foi libertado em 2015). Enquanto isso, o FBI emitiu em 1985 um mandado de detenção contra Rafi Eitan, mas que nunca foi cumprido, como conta o New York Times.

A sua carreira também passou pela política. Em 2006, tinha então 79 anos, Eitan foi eleito para o Parlamento israelita e chegou a ser ministro do governo — função que cumpriu até 2009.