Habitação e Urbanismo

Preços das casas subiram mais de 10%. Setor imobiliário alerta que oferta é desequilibrada

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O preço da habitação continua a subir em Portugal e no ano passado venderam-se mais de 178 mil casas. Mas a APEMIP alerta que há falta de casas a preços acessíveis.

ANTÓNIO COTRIM/LUSA

Autor
  • Tânia Teixeira

O Índice de Preços da Habitação (IPHab) registou uma variação média anual de 10,3% em 2018, mais 1,1 pontos percentuais que a registada em 2017, anunciou esta segunda-feira o Instituto Nacional de Estatística (INE).

O preço das casas continua a subir, mas esse aumento não trava as vendas, pelo contrário. No ano passado, foram vendidas 178.691 habitações. Nunca se venderam tantas casas em Portugal, e este é já um valor recorde, que representa uma subida de 16,6% nas transações em relação a 2017. Para Luís Lima, da Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal (APEMIP), os números do INE “são os esperados”. O valor mais elevado de sempre do número de transações é, sem dúvida, uma “boa notícia” para o responsável, mas os elevados preços não, dada a existência de um “preocupante desequilíbrio entre a oferta e a procura, que pode fazer com que as transações diminuam” no futuro, segundo Luís Lima.

As transações de habitações totalizaram receitas de 24,1 mil milhões de euros no ano passado, mais 24,4% do que em 2017. Segundo os números do INE, o montante equivale a 12% do Produto Interno Bruto (PIB). Os números de 2018 estão em linha com os de 2014, quando o volume de venda de casas se tinha fixado em 9,5 mil milhões de euros, 5,5% do PIB. O crescimento médio anual é de 26% no volume de negócios de habitações vendidas e de 20,7% no número de transações efetuadas. “O país depende muito do mercado imobiliário que significa muito para a economia nacional”, reconhece Luís Lima, que alerta que para equilibrar a balança é necessário perceber as necessidades de quem compra ou quer comprar casa, por exemplo, a classe média e os jovens que pretendem viver nos centros das cidades.

O INE afirma ainda que no 4.º trimestre de 2018 se constatou uma desaceleração do número das transações, que passou de uma variação homóloga de 18,4% no 3.º trimestre para 9,4%. Em valor, as transações desaceleraram de 29,1% no 3.º trimestre para 10,7% no 4.º trimestre. Para Luís Lima, esta desaceleração explica-se pela desadequação da oferta. O presidente da APEMIP defende que “não há produto para vender e não há milagres. O produto que há está muito caro.”, antecipando assim, que o 1º trimestre de 2019 continue a “não ser tão positivo”.

Vendem-se mais casas “velhas” do que novas

Nas estatísticas do Índice de Preços da Habitação, o INE refere que “o aumento médio anual dos preços continuou a ser superior no ano passado em casas já existentes”, numa subida de 11%. O preço das casas novas aumentou 7,5% em 2018.

No último trimestre do ano passado, o crescimento dos preços das habitações existentes (9,5%) foi mais intenso do que o das habitações novas (8,5%). Entre as transações realizadas, 85,2% foram de alojamentos existentes. A explicação é simples, segundo Luís Lima da APEMIP: “A construção parou. No mercado alto já se está a verificar algum recuo, mas no mercado futuro para classe média ou média baixa não vejo previsão de oferta, e isso é um problema. Não é por não termos clientes, mas sim por não termos opções para esses clientes”. O responsável apela ao Estado e às autarquias locais para que invistam em políticas públicas que dinamizem a construção a preço acessível, e defende que, “terrenos o país tem, não tem é construção acessível”.

Apesar do desequilíbrio, o presidente da APEMIP, Luís Lima, não perspetiva nenhuma crise no setor, ou qualquer tipo de “bolha imobiliária”, até porque “não há excesso de oferta nem de endividamento, 75 por cento das casas são vendidas a pronto”.

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