Portugal empatou os dois primeiros jogos da qualificação para o Euro 2020, contra a Ucrânia e a Sérvia, mas a verdade é que a Seleção Nacional pode acabar por vencer o encontro inicial na secretaria. Em causa está o brasileiro naturalizado ucraniano Júnior Moraes que, de acordo com uma denúncia feita ao site Mais Futebol, não poderia ter jogado contra Portugal na passada sexta-feira.

O avançado brasileiro de 31 anos, que se estreou pela seleção ucraniana neste duplo compromisso, foi suplente utilizado contra Portugal e titular contra o Luxemburgo no jogo desta segunda-feira, que a Ucrânia acabou por vencer nos últimos instantes (1-2). Ainda assim, e segundo o Mais Futebol, Júnior Moraes não cumpre todos os requisitos exigidos pela FIFA para representar a seleção ucraniana enquanto jogador naturalizado: principalmente o critério que exige que o jogador em causa resida durante cinco anos e de forma ininterrupta no país já depois de ter cumprido 18 anos.

O site Mais Futebol explica que foi alertado para a situação irregular através de uma denúncia efetuada por um adepto brasileiro e que posteriormente consultou Nogueira da Rocha, juiz português que integra o Tribunal Arbitral do Desporto, que confirmou que o artigo 7.º dos Estatutos da FIFA se aplica neste caso. Ora, esse artigo refere então que um jogador que adquira uma nova nacionalidade só pode representar a seleção nacional desse país se tiver “nascido no território da respetiva federação; se os pais biológicos tiverem nascido no território da respetiva federação, se os avós tiverem nascido no território da respetiva federação ou se tiver vivido continuamente pelo menos cinco anos, depois de atingidos os 18 anos, no território da respetiva federação”.

Júnior Moraes, que atualmente é treinado por Paulo Fonseca no Shakhtar Donetsk e é irmão mais novo de Bruno Moraes, que representou o FC Porto, nunca terá vivido cinco anos seguidos na Ucrânia. O avançado chegou ao país em junho de 2012, para se juntar ao Metalurh Donetsk, e saiu em fevereiro de 2018 para assinar pelos chineses do Tianjin Tianhai, já depois de ter passado também pelo Dínamo Kiev. Contas feitas, Moraes viveu quatro anos e oito meses na Ucrânia — menos quatro meses do que o exigido pelos regulamentos da FIFA. Voltou à Ucrânia quatro meses depois de se mudar para a China, contratado pelo Shakhtar, e vive há quase dois anos em Donetsk.

Tendo em conta a situação, e confirmando-se que Júnior Moraes e a seleção ucraniana não cumpriram os requisitos exigidos no artigo 7.º, a FIFA, em cujos regulamentos o caso se enquadra, e a UEFA, organismo que organiza a qualificação para o Euro 2020, devem agora analisar o processo de naturalização do avançado e averiguar se existiu ou não uma violação das regras. Caso esse cenário se confirme, a Ucrânia deverá ser sancionada com as derrotas nos jogos com Portugal e com o Luxemburgo, ficando portugueses e luxemburgueses com os três pontos relativos aos encontros com os ucranianos.

Entretanto, tanto a Federação Portuguesa de Futebol como o organismo que regula o futebol luxemburguês já questionaram a UEFA sobre a utilização de Júnior Moraes nos respetivos jogos. Face à denúncia e às reações de Portugal e Luxemburgo, a federação ucraniana negou qualquer violação dos regulamentos da FIFA: em declarações à imprensa russa, o secretário-geral do organismo afirmou que “foram cumpridos os procedimentos e prazos para que Júnior Moraes recebesse a cidadania ucraniana de forma legal”. “De acordo com a legislação ucraniana, ele residiu cinco anos no país”, acrescentou Yuri Zapisotsky, que indicou ainda que a lei do país indica que, para efeitos de cidadania, um indivíduo só precisa de estar 180 dias por ano na Ucrânia para ser naturalizado ucraniano.

(Artigo atualizado às 17h23 de terça-feira, 26 de março, com a informação de que a Federação Portuguesa de Futebol e a federação luxemburguesa questionaram a UEFA sobre a utilização de Júnior Moraes por parte da seleção ucraniana)