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Ordem dos Médicos denuncia falta de pediatras na urgência do Hospital Garcia de Orta. Hospital garante estar a resolver o problema

A Ordem dos Médicos avisou que a urgência pediátrica do hospital de Almada podia fechar em alguns dias de abril. O hospital vai reforçar escalas e lançar uma campanha de sensibilização aos utentes.

O Hospital Garcia de Orta diz que mais de 70% dos atendimentos na Urgência Pediátrica são situações de baixa prioridade e que não inspiram cuidados de maior

MÁRIO CRUZ/LUSA

Autor
  • Agência Lusa

A Ordem dos Médicos voltou, esta quinta-feira, a alertar para o “cenário muito grave” da urgência pediátrica do Hospital Garcia de Orta, em Almada, avisando que o serviço poderá encerrar alguns dias ou em alguns períodos do mês de abril. O Conselho de Administração do hospital respondeu no mesmo dia que estão a ser tomadas medidas para colmatar a falta de médicos na urgência pediátrica, como a contratação de dois especialistas e a colaboração de pediatras de outros hospitais.

“Em abril, a escala de urgência pediátrica pode deixar de estar assegurada pelo que o serviço corre o risco de ser encerrado alguns dias ou em alguns períodos”, denunciou a Ordem dos Médicos em comunicado, lembrando que apesar do alerta feito há dois meses e da “insistência” do Sindicato Independente dos Médicos, “a falta de pediatras no Hospital Garcia de Orta agravou-se”.

Em reação ao alerta da Ordem dos Médicos, o Conselho de Administração do hospital disse, em comunicado, que “está a diligenciar medidas, com a direção do Serviço de Pediatria, que permitirão colmatar a falta de médicos nos dias considerados mais críticos”. Entre essas medidas estão propostas de contratações diretas de dois novos especialistas, cuja concretização se espera poder ocorrer em maio.

As soluções apresentadas pelo Hospital Garcia de Orta

Através de um protocolo com o Centro Hospitalar Lisboa Ocidental, foi cedida a colaboração de um pediatra, para “colaboração imediata” e “foi identificado um médico interno de pediatria do último ano, que iniciará funções dentro de poucos dias”, refere o Hospital Garcia de Orta (HGO). Também foi cedido, através de um protocolo celebrado com a Administração Regional de Lisboa e Vale do Tejo, “um especialista de Medicina Geral e Familiar, com larga experiência anterior na Urgência Pediátrica do HGO, decorrendo ainda conversações com outros médicos no mesmo sentido”.

Será também proposta a abertura de quatro vagas, no próximo concurso nacional, que se prevê que ocorra no prazo de três meses. “O processo de recrutamento de mais médicos tem estado e continuará aberto, até que seja possível colmatar as saídas ou impedimentos atuais de vários médicos, por licenças, doenças ou outras causas. A substituição nestes impedimentos não tem sido possível face à ausência de médicos para contratar”, salienta. Segundo o hospital, as três vagas atribuídas pelo Ministério da Saúde, no concurso recente, “infelizmente não foram ocupadas, apesar de se terem identificado alguns candidatos interessados e que posteriormente não aceitaram”.

O HGO espera que estas medidas, com o ajustamento da escala de abril em alguns dias, permita colmatar a falta de médicos em quatro ou cinco dias particularmente críticos.

O Hospital Garcia de Orta prevê medidas adicionais que “podem contribuir, para reduzir a afluência à urgência pediátrica”, como o lançamento, dentro de uma semana, de “uma larga campanha de informação e sensibilização” dos pais de crianças até aos 12 anos, com a colaboração das autarquias e escolas dos concelhos de Almada e Seixal”. “Esta campanha visa que os centros de saúde assegurem, em primeira linha, o atendimento da doença aguda pediátrica, uma vez que mais de 70% dos atendimentos na Urgência Pediátrica são situações de baixa prioridade e que não inspiram cuidados de maior”, adianta.

A Ordem dos Médicos reforçou um alerta que já tinha feito em fevereiro

Citado no comunicado, o bastonário da Ordem dos Médicos refere que a urgência pediátrica do Hospital Garcia de Orta chegou a “uma situação limite e inevitável” e defende que “não é possível ter uma urgência pediátrica aberta sem pediatras”. De acordo com Miguel Guimarães, desde fevereiro já saiu mais um pediatra do hospital e prevê-se a saída de mais um até ao final de abril, sublinhando que há uma pediatra em licença de maternidade e outra que está grávida.

No mesmo comunicado, o Sindicato Independente dos Médicos (SIM) lembra que enviou uma carta ao conselho de administração do hospital e lamenta a “inação” e o “desrespeito que isto demonstra pelos profissionais, pelos pais e pelas crianças”. “Esta tem sido, aliás, a postura do Ministério da Saúde nos vários assuntos, num desaproveitamento da abertura negocial das estruturas sindicais, que se traduziu em resultados quase nulos”, diz o secretário-geral do SIM, Jorge Roque da Cunha, citado no comunicado.

O bastonário da Ordem dos Médicos diz que “facilmente se percebe que o cenário é muito grave” e que “não deixa de ser irónico” que o despacho que a ministra da Saúde aprovou para facilitar a substituição de profissionais de saúde não contemple os médicos.

No início de fevereiro, a Ordem dos Médicos denunciou a falta de médicos na urgência pediátrica do Garcia de Orta, avisando que o serviço corria o risco de fechar durante o período noturno e que já estava a funcionar “em cima da linha vermelha”. No mesmo dia, a ministra da Saúde assegurou que o encerramento noturno da urgência pediátrica estava “fora de questão”, mas reconheceu o problema da falta de médicos e a dificuldade que isso provocava na elaboração das escalas de serviços. Na altura, Marta Temido recordou que estava a decorrer o concurso para colocar no Serviço Nacional de Saúde recém-especialistas e que o Garcia de Orta tinha duas vagas atribuídas que poderiam ajudar a resolver o problema da urgência pediátrica.

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