O Presidente do Irão defendeu esta sexta-feira que os iranianos “devem resistir” à decisão norte-americana de reconhecer a soberania israelita sobre parte dos Montes Golã, juntando-se assim aos vários países árabes que condenaram o reconhecimento pelos EUA.

Hassan Rohani realçou que a posição dos Estados Unidos “viola os regulamentos internacionais sobre os [Montes] Golã” acrescentando que os iranianos “devem resistir e assim conseguir a vitória” sobre os EUA e Israel.

Na terça-feira, o Presidente iraniano acusou Donald Trump de “colonialismo” após a decisão dos EUA.

“Num certo momento da história, no tempo do colonialismo, algumas potências coloniais fizeram coisas semelhantes e atribuíram partes de um país a um outro (…) mas isto não tem precedentes no nosso século”, declarou Rohani.

O Presidente norte-americano, Donald Trump, reconheceu “formalmente” na segunda-feira em Washington a soberania de Israel sobre os Golã, na presença do primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu.

Israel conquistou uma grande parte dos Golã sírios na guerra israelo-árabe de 1967, antes de os anexar em 1981, numa decisão nunca reconhecida pela comunidade internacional.

Ao longo da semana, a Síria e vários Estados árabes criticaram o reconhecimento pelos Estados Unidos da soberania israelita sobre os Montes Golã.

O Governo sírio, através de uma fonte não identificada, classificou a declaração norte-americana como uma “violação da soberania”, acrescentando que Trump “não tem o direito nem a competência legal para legalizar a ocupação (dos Montes Golã) e de violar as terras de outros países pela força”.

Também a Arábia Saudita condenou o reconhecimento e apelidou a decisão de uma violação do direito internacional.

A Arábia Saudita “manifesta a sua firme rejeição e condena a declaração do Governo dos EUA de reconhecer a soberania de Israel nos montes sírios de Golã”, informou a agência oficial de notícias saudita.

No Líbano, o Presidente, Michel Aoun, salientou que a decisão de Donald Trump “prejudica os fundamentos e regras das Nações Unidos e o direito internacional” e “provoca preocupação, em especial nos países vizinhos de Israel”.

O líder do movimento xiita Hezbollah também condenou o reconhecimento e considerou que a única opção para os sírios recuperarem os Montes Golã e os palestinianos reconquistarem os seus “direitos legítimos” resume-se a “resistência, resistência e resistência”.