O presidente da câmara do Porto diz que as críticas de eleitoralismo na redução do tarifários nos transportes públicos “ilustra bem a visão populista de quem esteve distraído”, “de quem não entende sequer o alcance da medida, porque não tem mundo ou porque não é capaz de propor uma alternativa”.

Na cerimónia de assinatura do contrato do Programa de Apoio à Redução do Tarifário dos Transportes Públicos (PART), Moreira questionou mesmo “se a medida tivesse entrado em vigor há um ano ou há seis medos já não seria eleitoralista?” “Iriam os eleitores esquecer-se de quem a aplicou ou esquecer-se da enorme poupança que vai provocar no orçamento demitas famílias? Tenho os portugueses em melhor conta que isso”, rematou.

Para “os detratores” deste novo modelo, que referem as diferenças de valores no investimento entre as duas áreas metropolitanas e entre estas e o interior, Rui Moreira afirma que “tratar igual o que é diferente não é justiça, é equidade”. E vai mais longe, dizendo que “seria absurdo e provinciano reivindicar para a área Metropolitana do Porto um investimento neste sistema nominalmente semelhante. “Só quem não entende nada de sistema de transporto e não conhece o mapa de mobilidade das duas regiões poderia defender, neste caso, a paridade”.

O autarca do Porto considera igualmente “absurdo” “gritar de forma populista” que o mesmo montante de verbas deveria ser aplicado na redução tarifária nos transportes no interior. “Sabemos bem que nas cidades do interior ou fora das áreas Metropolitanas a população que diariamente quer ou pode ser transportada em movimentos pendulares consolidados é quase inexistente”, justifica.

Defensor assumido da descentralização, Rui Moreira recusa “a visão do contabilista que aritmeticamente divide o quinhão pelas aldeias” e acredita que esta é uma perspetiva que “divide o país por iníqua” e que “na prática não resolve nenhum dos problemas que temos em cima da mesa”.

Na cerimónia onde discursou ao lado de AntónioCosta, Rui Moreira usou a metáfora de um bebé que deu à luz e que agora foi batizado. O presidente da Câmara do Porto afirma que os pais deste bebé “somos nós, o Governo e os autarcas das duas áreas metropolitanas”, acrescentando que o trabalho “na conceção do bebé” começou a ser feito em janeiro de 2018, mas só em outubro do mesmo ano é que “o Governo deu à luz”, com o anúncio do Primeiro-Ministro. “Como veem, esta criança teve conceção, gestação, nascimento e, hoje, batismo. E foi até uma gestação normal. O parto não foi nem prematuro nem tardio. Foi no tempo certo.”

“Pessoalmente nada tenho a opor a que agora tanta gente queira ser o padrinho”, diz referindo-se aos que criticaram este modelo. “Sei que há entre padrinhos mais envergonhados os que acusam o Governo de ser eleitoralista”, acrescentado que ele próprio pode “ser sujeito a um qualquer teste de ADN”. “Essa paternidade não me cabe, não estou em eleições e creio que me cabe o direito de não estar”, realça.

Para Moreira este sistema trata-se “de uma das mais significativas medidas redistributivas e de investimento reprodutivos de que há memoria na recente história da democracia portuguesa” e que, além da importância em matérias como o ambiente, a justiça social ou a economia, “teve uma virtude política”. “Uniu o Governo da República e os municípios”, e “mobilizou autarcas eleitos por diferentes forças políticas”.