Rui Moreira

Rui Moreira rejeita eleitoralismos e “gritos populistas” sobre as novas medidas de transportes públicos

O presidente da Câmara do Porto falou das novas medidas na redução do tarifários nos transportes públicos como “um bebé” cujos pais são “o Governo e os autarcas duas áreas metropolitanas”.

FERNANDO VELUDO/LUSA

Autor
  • Maria Martinho

O presidente da câmara do Porto diz que as críticas de eleitoralismo na redução do tarifários nos transportes públicos “ilustra bem a visão populista de quem esteve distraído”, “de quem não entende sequer o alcance da medida, porque não tem mundo ou porque não é capaz de propor uma alternativa”.

Na cerimónia de assinatura do contrato do Programa de Apoio à Redução do Tarifário dos Transportes Públicos (PART), Moreira questionou mesmo “se a medida tivesse entrado em vigor há um ano ou há seis medos já não seria eleitoralista?” “Iriam os eleitores esquecer-se de quem a aplicou ou esquecer-se da enorme poupança que vai provocar no orçamento demitas famílias? Tenho os portugueses em melhor conta que isso”, rematou.

Para “os detratores” deste novo modelo, que referem as diferenças de valores no investimento entre as duas áreas metropolitanas e entre estas e o interior, Rui Moreira afirma que “tratar igual o que é diferente não é justiça, é equidade”. E vai mais longe, dizendo que “seria absurdo e provinciano reivindicar para a área Metropolitana do Porto um investimento neste sistema nominalmente semelhante. “Só quem não entende nada de sistema de transporto e não conhece o mapa de mobilidade das duas regiões poderia defender, neste caso, a paridade”.

O autarca do Porto considera igualmente “absurdo” “gritar de forma populista” que o mesmo montante de verbas deveria ser aplicado na redução tarifária nos transportes no interior. “Sabemos bem que nas cidades do interior ou fora das áreas Metropolitanas a população que diariamente quer ou pode ser transportada em movimentos pendulares consolidados é quase inexistente”, justifica.

Defensor assumido da descentralização, Rui Moreira recusa “a visão do contabilista que aritmeticamente divide o quinhão pelas aldeias” e acredita que esta é uma perspetiva que “divide o país por iníqua” e que “na prática não resolve nenhum dos problemas que temos em cima da mesa”.

Na cerimónia onde discursou ao lado de AntónioCosta, Rui Moreira usou a metáfora de um bebé que deu à luz e que agora foi batizado. O presidente da Câmara do Porto afirma que os pais deste bebé “somos nós, o Governo e os autarcas das duas áreas metropolitanas”, acrescentando que o trabalho “na conceção do bebé” começou a ser feito em janeiro de 2018, mas só em outubro do mesmo ano é que “o Governo deu à luz”, com o anúncio do Primeiro-Ministro. “Como veem, esta criança teve conceção, gestação, nascimento e, hoje, batismo. E foi até uma gestação normal. O parto não foi nem prematuro nem tardio. Foi no tempo certo.”

“Pessoalmente nada tenho a opor a que agora tanta gente queira ser o padrinho”, diz referindo-se aos que criticaram este modelo. “Sei que há entre padrinhos mais envergonhados os que acusam o Governo de ser eleitoralista”, acrescentado que ele próprio pode “ser sujeito a um qualquer teste de ADN”. “Essa paternidade não me cabe, não estou em eleições e creio que me cabe o direito de não estar”, realça.

Para Moreira este sistema trata-se “de uma das mais significativas medidas redistributivas e de investimento reprodutivos de que há memoria na recente história da democracia portuguesa” e que, além da importância em matérias como o ambiente, a justiça social ou a economia, “teve uma virtude política”. “Uniu o Governo da República e os municípios”, e “mobilizou autarcas eleitos por diferentes forças políticas”.

Todos queremos saber mais. E escolher bem.

A vida é feita de escolhas. E as escolhas devem ser informadas.

Há uns meses o Observador fez uma escolha: uma parte dos artigos que publicamos deixariam de ser de acesso totalmente livre. Esses artigos Premium, por regra aqueles onde fazemos um maior investimento editorial e que mais diferenciam o nosso projecto, constituem a base do nosso programa de assinaturas.

Este programa Premium não tolheu o nosso crescimento – arrancámos mesmo 2019 com os melhores resultados de sempre.

Este programa tornou-nos mesmo mais exigentes com o jornalismo que fazemos – um jornalismo que informa e explica, um jornalismo que investiga e incomoda, um jornalismo independente e sem medo. E diferente.

Este programa está a permitir que tenhamos uma nova fonte de receitas e não dependamos apenas da publicidade – porque não há futuro para a imprensa livre se isso não acontecer.

O Observador existe para servir os seus leitores e permitir que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia. Por isso o Observador também é dos seus leitores e necessita deles, tem de contar com eles. Como subscritores do programa de assinaturas Observador Premium.

Se gosta do Observador, esteja com o Observador. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt
Polémica

Caso encerrado (ainda "O regresso do 'eduquês'")

José Pacheco

O senhor Torgal crê – uma crença não se discute – que as escolas são prédios, dentro dos quais professores do século XX tentam ensinar alunos do século XXI, seguindo práticas pedagógicas do século XIX

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)