O Governo venezuelano dispersou, este sábado, com gás lacrimogéneo, os manifestantes que tentavam reunir-se em Caracas para protestar contra os cortes de eletricidade que estão a afetar o país desde o início de março.

De acordo com jornalistas da agência FrancePresse, os manifestantes tentavam concentrar-se em vários pontos da zona oeste da capital.

O líder da oposição e autoproclamado Presidente interino, Juan Guaidó, tinha feito um apelo à população para se manifestar e protestar contra os apagões de grandes dimensões que estão a paralisar o país.

A capital e mais 20 das 23 regiões do país voltaram a ficar mergulhadas na escuridão na sexta-feira à noite e várias mantinham-se hoje sem eletricidade.

Já estamos há 15 horas sem eletricidade. Somos picados pelos mosquitos, as filas para comprar comida são imensas, e raros os supermercados abertos, que também são assaltados, queixou-se Mariana Pirela, uma das habitantes locais.

Os cortes também têm privado as populações de água, transportes públicos, telefone e internet.

Em Maracaibo, uma cidade do nordeste do país, cerca de 500 lojas foram pilhadas no início dos cortes de eletricidade.

Por seu turno, o presidente Nicolas Maduro, que acusa a oposição de orquestrar os “ataques” contra a principal central elétrica do país, com o apoio dos Estados Unidos, apelou também a uma “grande mobilização” para “dizer não ao terrorismo imperialista”.

Na Venezuela são cada vez mais frequentes e prolongadas as falhas no fornecimento de eletricidade, passando de pequenos a grandes apagões que chegam a afetar a totalidade do território.

Desde 2005 que engenheiros alertam que o país poderia registar um apagão geral devido às condições precárias do sistema.

Segundo a imprensa local, devido à crise política, económica e social, centenas de empregados da Corporação Elétrica Nacional da Venezuela (Corpoelec) abandonaram o país à procura de melhores condições no estrangeiro.