Rádio Observador

Mercado Imobiliário

Proximidade com Lisboa aumenta preços das casas em Almada

140

Duas imobiliárias de Almada dizem que a proximidade com Lisboa levou ao aumento dos preços da habitação, mas dividem-se quanto à influência que a especulação pode ter no aumento de bairros degradados.

Almada é o sexto município com valor de renda mais elevado do país (7 Euros/m2)

JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA

Autor
  • Agência Lusa

Duas imobiliárias de Almada afirmam que a proximidade com Lisboa tem levado ao aumento dos preços da habitação no concelho do distrito de Setúbal. Contudo, há opiniões divergentes quanto à influência que a especulação tem no aumento de bairros degradados.

A reflexão sobre a ligação entre estes dois fatores iniciou-se com as declarações da presidente da Câmara de Almada, Inês de Medeiros, ao jornal Público, em janeiro, de que atualmente existem mais bairros degradados no concelho do que nos anos 90 e que a pressão imobiliária sobre Lisboa faz com que a cidade “corra o risco de ver aumentados os bairros de lata”.

A vereadora da Habitação, Maria Teodolinda Silveira, que confirmou estes dados, indicou à agência Lusa que atualmente existem 62 bairros degradados, mais 11 do que existiam nos anos 90. A Lusa também falou com profissionais do setor e, na visão de Vítor Martins, da Remax Almada, não restam dúvidas quanto à influência da proximidade com Lisboa na subida de preços, tanto a nível de arrendamento, como de venda.

Deve-se à proximidade com Lisboa, uma vez que há uma pressão muito grande nos preços, o que faz com que as pessoas fujam um bocado para a periferia. Almada continua a ser uma cidade dormitório”, explicou o agente imobiliário.

Neste sentido, adiantou que os preços têm vindo a subir desde 2014, com “crescimentos na ordem dos 20% ao ano no preço dos imóveis”, fazendo com que atualmente um T2 para venda custe, em média, 130 mil euros e, para arrendamento, 650.

Também Sónia Sá, da imobiliária Feijó Global, referiu que “os preços estão muito elevados” na cidade e que as pessoas têm sido “empurradas da zona de Lisboa para a Margem Sul”.

As estatísticas de renda da habitação ao nível local, divulgadas este mês pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), comprovam as afirmações dos profissionais, ao indicar que entre os 308 municípios portugueses, Almada é o sexto com valor de renda mais elevado do país (7,00 Euro/m2), sendo superado apenas pelos concelhos de Lisboa, Cascais, Oeiras, Porto e Amadora.

Se até aqui a opinião das imobiliárias era unânime, o mesmo não se pode dizer sobre a influência da especulação imobiliária no aumento de bairros degradados em Almada.

Não creio, não me parece que uma coisa esteja diretamente relacionada com a outra. Os bairros sociais nascem, na minha opinião, por uma questão de pobreza e de falta de desenvolvimento e é aí que tem que se combater essas questões. Quem está num bairro social e hoje não pode pagar uma renda de 600 euros, há três anos continuava a não poder pagar uma renda de 400″, afirmou Vítor Martins.

Pelo contrário, Sónia Sá consegue estabelecer uma ligação entre os dois fenómenos: “Os ordenados não aumentam tanto como o preço das casas, tanto do arrendamento como para venda, portanto estamos a falar que de há cinco anos para cá aumentou cerca de 33% e os ordenados não aumentaram tanto. Um t1, por exemplo, para arrendar são cerca de 400 euros e as pessoas recebem o ordenado mínimo, como é que conseguem fazer face ao pagamento de rendas e tudo o resto que uma família precisa? Eu penso que sim, que tudo isso aumentou para os bairros mais degradados”.

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt
Combustível

O mundo ao contrário /premium

João Pires da Cruz

Se o seu depósito é mais importante do que aquilo que os pais deste bebé sentiram quando lhes disseram que o filho deles morreu instantes depois do nascimento, é porque tem o mundo ao contrário.

António Costa

O favor que Costa fez à direita /premium

Sebastião Bugalho

Nestes quatro anos, Costa normalizou tudo aquilo que a direita se esforçou por conquistar, o que levanta uma questão simples: o que poderá dizer o PS contra um futuro governo do centro-direita?

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)