Eis o tipo de visão a que o Mónaco habituou o mundo — um desfile de aristocratas, com celebridades bronzeadas pelo meio, vestidos de cauda, joias, gente das artes e uma grande ligeireza ao juntar tudo isto numa paisagem à beira mar. O último sábado, dia 30 de março, não foi exceção. Aliás, é em noite de Baile da Rosa que o espírito monegasco vem ao de cima em todo o seu esplendor. Os membros da família real foram os grandes anfitriões da noite. Sem Charlene, mas acompanhado pela irmã Carolina, o príncipe Alberto veio mostrar que nem só de circo se alimenta a alta-roda.

A princesa Carolina e o príncipe Alberto do Mónaco, a chegar ao Baile da Rosa, no passado sábado, em Monte Carlo © PLS Pool/Getty Images

Na Salle des Etoiles, dentro do Sporting Monte-Carlo, a festa decorreu inspirada pela Riviera. O tema, “Riviera”, foi escolhido por Karl Lagerfeld, amigo próximo dos príncipes, responsável pela conceção do baile nas últimas cinco edições e, claro, presença assídua em todas elas. Com a morte do designer em fevereiro deste ano, foi a grande festa a homenagear o seu génio criativo. À semelhança dos cenários extraordinários que incutiu no universo Chanel, o que no último sábado acolheu esta festa beneficente seguiu o mesmo registo — uma piscina,  todo um imaginário náutico explorado através da art déco, banhistas de outros tempos e, para cumprir a tradição, milhares de rosas.

Seja qual for o mote, este é mesmo o elemento que não pode faltar, até porque era a flor favorita de Grace Kelly. Diz-se que, ao todo, são cerca de 25.000 a decorar o salão do baile. Fora do departamento da decoração, mas igualmente visual, é o guarda-roupa dos convidados. Mais uma vez, as indumentárias estiveram maioritariamente ligadas ao tema. A princesa Carolina homenageou Largerfeld com um vestido Chanel, proveniente dos arquivos da maison. Outras convidadas escolheram marcas como Giambattista Valli, Saint Laurent, Christian Dior e Carolina Herrera. As princesas Stéphanie e Charlene foram as ausências mais notadas da noite.

O cenário do Baile da Rosa inspirado na Riviera Francesa, naquela que foi a última edição a ser desenhada por Karl Lagerfeld ©  PLS Pool/Getty Images

O baile existe desde 1954, criado pela própria Grace Kelly, na época em que se mudou para o Mónaco para casar com o príncipe Rainier. Ano após ano, a princesa e estrela de Hollywood envolveu-se na preparação da grande noite que, além de dar as boas-vindas à primavera, nasceu também com um intuito beneficente. Desde 1964 que o dinheiro angariado durante o baile vai para a Princess Grace Foundation, que canaliza as verbas para projetos humanitários e filantrópicos, sempre ligadas a crianças. Além de leilões, em que 800 euros é a base de licitação habitual, os convidados podem também fazer donativos livres.

Quanto aos convidados, parece que a lista é seleta. Todos os anos, cerca de 1.000 pessoas recebem o convite e o rol estende-se para lá da aristocracia monegasca. A palavra final é sempre da família real que, conta-se, passa a pente fino cada nome antes de enviar os tão desejados convites. Durante 65 anos, também os artistas fizeram parte desta história. Em 1977, o dançarino francês Jacques Chazot atuou no baile. As cantoras britânicas Lily Allen e Shirley Bassey também já animaram as hostes no Sporting Monte-Carlo.

A princesa Grace e a filha, Carolina do Mónaco, no Baile da Rosa, em 1981 © PHILIPPE WOJAZER/AFP/GettyImages

Sim, porque, uma vez reunidos os convidados, convém entretê-los. Aí, o Baile da Rosa tem andado ao sabor das modas. Se nos primeiros anos imperava a valsa, musicada por uma orquestra de 100 violinos, no final dos anos 50, entrou em cena o ballet, com participação da Colette Marchand, primeira-bailarina e atriz francesa. Em 1975, o baile muda-se para o edifício atual, o Sporting Monte-Carlo. Nesse mesmo ano, nasce um sorteio ligado à moda. Para fins de caridade, grandes marcas de vestuário, acessórios e joias começaram a apresentar novidades em primeira mão a quem oferecesse o valor mais alto.

No final dos anos 70, os outros ritmos invadiram o baile — do cancan parisiense, ao charleston e ao tango. Os estilos musicais acompanham, muitas vezes, os próprios temas da festa. O dandy britânico dos anos 60, Marrocos ou Manhattan têm sido temas das últimas edições e se as mulheres têm a possibilidade de ajustar a indumentária ao espírito da noite, aos homens não é dada grande margem. O dress code é rígido e fecha o leque de opções num básico “black tie“.