Algarve

Apresentadores do Britain’s Got Talent gastaram milhões de euros na compra de resort que ficou ao abandono

A CGD emprestou mais de 300M€ para a construção de um resort na Quinta do Lago, no Algarve, que nunca chegou a ficar concluído. Apresentadores britânicos gastaram 6M€ em compra de uma das casas.

Os dois apresentadores de televisão britânicos gastaram cerca de três milhões cada um na compra de uma casa no resort, que acabaria por nunca existir

Getty Images

“Estava lá sozinho, não havia ninguém, na verdade. Não havia construtor, não havia qualquer secretária. O desenvolvimento de propriedades estava vazio e, muito francamente, num estado muito degradado”. As palavras são de Thomas Gautier, autor do vídeo promocional “The Keys”, um empreendimento imobiliário situado na Quinta do Lago, no Algarve, que envolveu milhões de euros de investimento, mas que nunca chegou a estar concluído.

A investigação da SIC conta como a Caixa Geral de Depósitos (CGD) concedeu um empréstimo de quase 300 milhões de euros à promotora Birchview, responsável pela construção do resort de luxo. Pelo meio, figuras da televisão britânica, como os dois apresentadores do Britain’s Got Talent (Anthony Mcpartlin e Declan Donald), gastaram cerca de três milhões de euros cada um na compra de uma casa num resort que acabaria por nunca existir.

De acordo com a investigação do canal de Carnaxide, quando o banco público português acabou com o financiamento, a empresa entrou em insolvência, as portas do The Keys fecharam e os 16 clientes do empreendimento perderam o privilégio e todo o dinheiro que investiram no negócio.

Em 2017, a CGD voltou a fazer mais um empréstimo. Desta vez, deu 177 milhões de euros ao britânico Mark Lehnerr, quase desconhecido em Portugal, para a compra de três lotes da Quinta do Lago. O empréstimo seria uma parceria entre CGD e o BPI, mas este último banco decidiu desistir da operação porque duvidou da rentabilidade do negócio.

Na altura, conta a SIC, os administradores da CGD decidiram avançar na mesma com o negócio, sem qualquer parecer da direção de risco ou justificação, notaram os auditores da EY — antiga Ernest & Young. Já Mark Lehnerr garante que o que o banco fez na altura era normal e recusou qualquer tipo de tratamento privilegiado feito pela CGD.

Os negócios estão agora presentes na auditoria que a consultora EY fez à CGD, onde os auditores dizem que encontraram um conjunto de exceções, falta de pareceres da direção de risco, decisões forçadas pela administração e falta de estudos de viabilidade dos negócios, como pode ler aqui.

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