Brande, uma cidade rural dinamarquesa com cerca de 7 mil habitantes e a quase 300 quilómetros de distância da capital, Copenhaga, vai albergar um arranha-céus com 320 metros. A torre vai ser erguida pela Bestseller, uma empresa de moda fundada na cidade que já há muito deixou de se circunscrever a Brande, mas continua a olhar para ela como o início de tudo. “[A torre] vai ser o ponto de referência que colocará Brande no mapa”, disse ao The Guardian Anders Krogh Vogdrup, chefe de construções para a Bestseller.

A gigante da moda Bestseller foi fundada na cidade em 1975 e o seu dono, Anders Holch Povlsen, é o homem mais rico da Dinamarca e detém ainda marcas como a Vero Modo e a Jack and Jones. Depois de ter a aprovação do conselho dos moradores de Brande, Povlsen verá a sua sede ser o edifício mais alto da Europa Ocidental, ultrapassando o The Shard, em Londres, por 10,4 metros.

A Torre Bestseller vai ser construída no centro de uma cidade com sete mil habitantes. Foto: Bestseller

O responsável pela construção da empresa, Krogh Vogdrup, explicou que a torre serve para devolver algo à comunidade que viu a marca nascer. “Durante mais de 30 anos temos sido muito felizes na nossa casa em Brande e sentimos que somos parte natural da comunidade local”, disse ao The Guardian. Apesar de um arranha-céus num meio rural com tão poucos habitantes poder parecer estranho, a verdade é que a crítica não se tem adensado.

“É difícil encontrar alguém que se oponha à torre. Toda a gente pensa que é uma ideia fantástica e eu também”, explicou um repórter local ao jornal inglês. Os elogios vêm também da ala mais à esquerda. Anders Udengaard, um político da esquerda socialista e crítico da Bestseller, junta-se ao rol de apoiantes. “Não há oposição. Mas para a maior parte das pessoas que olham para um projeto como este a ser construído numa comunidade pequena, parece um pouco louco, não?”, deixa em aberto Udengaard.

A voz mais crítica chega de uma arquiteta que vive a cerca de 100 quilómetros de distância, mas cujo namorado cresceu em Brande. Para Trine Kammer a construção vai destruir uma “paisagem [até então] não perturbada”. “Um grande edifício como este vai fazer com que o mundo seja catastroficamente pequeno. Porque é que tenho de me lembrar da Bestseller de cada vez que estou a caminhar por um bosque?”, questiona a arquiteta.