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Angola

Líder dos bancos angolanos insatisfeito com taxa de juro de 7,5% no crédito à produção

"A taxa não é muito boa para nós, mas acreditamos que, agindo estritamente com o acordo que vai sair com o BNA, vamos ter também outras vantagens adicionais", referiu Amílcar da Silva.

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  • Agência Lusa

O presidente da Associação Angolana de Bancos (ABANC) manifestou-se esta terça-feira, em Luanda, pouco confortável com a taxa de juro anual de 7,5%, estabelecida pelo banco central angolano para o crédito à produção de produtos essenciais.

Amílcar da Silva falava à imprensa no final de um encontro promovido pelo Banco Nacional de Angola (BNA) com associações empresariais para apresentação do normativo sobre Concessão de Crédito ao Setor Real da Economia, que prevê a cobrança de taxas de juro de até 7,5% ao ano, incluindo todas as comissões, com vista a garantir a estabilidade financeira dos bancos e a viabilidade económica e financeira dos projetos agrícolas.

“A taxa não é muito boa para nós, mas acreditamos que, agindo estritamente com o acordo que vai sair com o BNA, vamos ter também outras vantagens adicionais, vamos ter mais clientes, há pessoas que se vão tornar melhores clientes, vamos ter uma carteira de crédito melhor, um relacionamento melhor com as pessoas. Isso tudo é o que a gente quer buscar, depois virá o resto”, disse Amílcar da Silva.

Atualmente, a taxa diretora de juros do BNA está fixada nos 15,75%, mais do dobro da prevista para este programa específico de crédito. Segundo presidente da ABANC, este aviso do banco central angolano promoverá as condições para conceder mais créditos. “Um dos principais negócios do banco, se não o principal, é o crédito, é fazer captação e conceder crédito. Não o fazer é muito penalizador para os bancos. Se não fazemos créditos é porque não temos condições”, disse o responsável.

Amílcar Silva lembrou que o crédito malparado em Angola ronda os 30% do total, níveis que considerou preocupantes. “Não podemos ter esse nível de crédito (malparado), porque estamos a perder recursos, esses recursos não voltam ao banco”, frisou.

O líder da associação que junta quase 30 bancos em Angola refutou as críticas de que aquelas instituições não têm concedido créditos, afirmando que não fazem a todos, “porque muitos não têm condições para fazer crédito”. Em sentido inverso, o administrador do grupo Agrolíder, com forte aposta no setor da agricultura em Angola desde 2006, considerou excelente a iniciativa, que esperava já há algum tempo.

João Macedo considerou a medida importante, tendo em conta que com os juros que estavam a ser aplicados “era impossível as pessoas recorrerem aos créditos”. “E agora com esta medida, de juros baixos, entre os 7% e os 8% é bastante aceitável para este tipo de investimento, a nível da agricultura e pescas, a disponibilidade também de divisas para o investimento produtivo, é esta dinâmica que o país tem que ter”, referiu.

O empresário antevê “um futuro promissor para os novos projetos que estavam encravados que possam voltar a ter alguma dinâmica”, enaltecendo também a anunciada subvenção de 45% aos combustíveis para a agricultura e pescas. “É o caminho para que a agricultura, as pescas, a agroindústria, consiga ser relançada no país e depois é preciso ter também bons empresários, que saibam conduzir este veículo que é o seu projeto”, referiu.

Segundo João Macedo, a subvenção irá permitir à empresa que lidera uma poupança de quase dez milhões de kwanzas (27.861 euros) por semana.

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