Rádio Observador

Ordem dos Médicos

Segurança clínica “está a ser colocada em causa”, diz bastonário dos médicos

O bastonário da Ordem dos Médicos ameaça responsabilizar o Ministério da Saúde pela "insegurança clínica" alegadamente verificada em muitas unidades. Miguel Guimarães falha em "capital humano".

O bastonário da Ordem dos Médicos disse esta terça-feira que "o Estado tem de garantir a segurança dos doentes"

JOSÉ COELHO/LUSA

O bastonário da Ordem dos Médicos disse esta terça-feira que vai ter uma atitude mais forte porque em muitas unidades de saúde “está a ser colocada em causa” a segurança clínica, ameaçando responsabilizar o Ministério da Saúde pela “insegurança clínica”.

“A segurança clínica está a ser posta em causa, por deficiências várias, que começam no capital humano”, afirmou Miguel Guimarães à imprensa no final de uma reunião, em Lisboa, com a ministra da Saúde, Marta Temido.

“E nós temos dito muitas vezes que a principal característica do Serviço Nacional de Saúde são as pessoas. São os profissionais de saúde que fazem a saúde todos os dias, para que os portugueses possam ter melhor qualidade de vida”, declarou.

Segundo o bastonário, as deficiências não são só ao nível do capital humano, mas também ao nível das condições físicas de trabalho, de equipamentos e dispositivos.

Por isso, defendeu ser “preciso tomar uma atitude diferente neste domínio”, porque “o Estado tem de garantir a segurança dos doentes, tem de garantir aquilo que é o tempo recomendado para a relação médico-doente, para estes poderem expressar aquilo que lhes vai na alma e a sua história clínica. e terem daí uma atitude que seja benéfica para eles.”

“[Estas questões] têm a ver com a proteção do doente e têm a ver como uma das coisas que estamos, ou estávamos, ou vamos continuar a estar a negociar, que é o ato médico, com o Ministério da Saúde para proteger o doente”, referiu, garantindo: “Mas vamos continuar a insistir, mas responsabilizando, desta vez, o Ministério da Saúde pela insegurança clínica”.

O bastonário desejou ainda “boa sorte” aos sindicatos dos médicos para a reunião que têm na quarta-feira com a ministra da Saúde e disse que estes “têm de ser exigentes naquilo são os direitos dos médicos, todos os direitos dos médicos”.

A ministra da Saúde tinha convocado no dia 20 de março para esta terça-feira a reunião com a Ordem dos Médicos, na sequência de um pedido urgente, garantindo na altura que não havia qualquer desconsideração pela profissão médica como por nenhum grupo profissional da saúde.

A Ordem dos Médicos tinha pedido uma reunião com caráter de urgência à ministra da Saúde, na sequência de atitudes e declarações da tutela que “revelam uma total falta de respeito” e um “nível de desprezo nunca antes alcançado”.

Em declarações aos jornalistas, na altura em que anunciou ter convocado a reunião desta terça-feira, a ministra Marta Temido, disse que “deve haver uma incompreensão do que é a posição do Ministério da Saúde” em relação aos médicos.

“Como é obvio não há qualquer sentimento de menor consideração por nenhum dos profissionais de saúde que fazem o sistema de saúde português e garantidamente que isso não acontece em relação à profissão médica”, declarou.

A ministra considerou que “parece haver alguma tentativa de empolar um assunto que não tem a conotação que se lhe quer dar”, referindo-se a críticas que têm sido feitas por estruturas médicas sobre recentes declarações suas numa entrevista em que aludiu à possibilidade de se estudarem formas de obrigar os médicos recém-especialistas a ficar no Serviço Nacional de Saúde por um período de tempo.

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)