Ninguém sabe o número exato. Estima-se que sejam dezenas os corpos de mulheres e homens decapitados que foram encontrados numa vala comum em Baghouz, uma cidade no nordeste da Síria e o último território ocupado pelo Estado Islâmico. Junto das vítimas acredita-se que estejam enterrados os cadáveres dos próprios filhos, de acordo com informação avançada pelo El Mundo.

Menos de duas semanas depois de as Forças Democráticas Sírias (SDF) terem anunciado “a total eliminação do autoproclamado califado e a derrota territorial de 100% do Estado Islâmico”, começaram a surgir relatos de corpos encontrados em valas comuns. O comandante das SDF, Adnan Afrin, foi um dos primeiros a encontrar os cadáveres.

Há dezenas de corpos decapitados, entre mulheres e homens, não sabemos o número exato”, explicou o oficial das Forças Democráticas da Síria ao El Mundo.

Segundo adiantou ao mesmo jornal, os corpos permanecem enterrados (pelo menos, à data de publicação do artigo original, 1 de abril) enquanto se aguardam o resultados dos testes de ADN com vista à sua identificação. As investigações preliminares apontam para que as mulheres encontradas entre as dezenas de cadáveres fossem yazidis, ou seja, seguidoras de uma religião minoritária do Médio Oriente que mistura elementos de outras crenças, como a Cristianismo, o Islão e o Zoroastrismo, que os jihadistas consideram ser “seguidores do Diabo”, escreve o El Mundo.

Sabemos que serão cerca de 50 mulheres yazidis decapitadas pelo Daesh, mas não temos muito mais informações”, disse Husein Qaedi, responsável do centro de ajuda para yazidis sequestradas, ao mesmo jornal espanhol.

Esta não é a primeira vez que foram encontrados corpos em valas comuns. Já foram localizados 68 locais onde os jihadistas enterraram os corpos das suas vítimas. De acordo com o El Mundo, a missão de desenterrá-los, identificá-los e devolvê-los aos seus familiares mal começou. Só a meio de março é que uma equipa da ONU abriu a primeira vala.

O Estado Islâmico invadiu os territórios onde se situa a cidade de Baghouz em agosto de 2014. Desde então, milhares de mulheres e crianças foram sequestradas e transformadas em escravas sexuais. “Em agosto de 2014, de acordo com nossos registos, 6.400 yazidis foram sequestrados. Os esforços deste centro conseguiram a libertar 3400 pessoas, incluindo mulheres, crianças e homens”, explicou ainda Husein Qaedi. O paradeiro das restantes três mil pessoas permanece um mistério.