Sim, a Google é uma gigante tecnológica. Tem praticamente o monopólio dos emails (com o Gmail), dos browsers (com o Chrome), do streaming online (com o YouTube), ou dos sistemas operativos móveis (com o Android). Toda a Internet foi ocupada pela Google… Toda? Não! Uma rede social povoada por milhares de milhões de utilizadores ainda resiste ao invasor. Ok, nem o Facebook nem o Twitter são uma pequena “aldeia de irredutíveis gauleses”, mas quando uma gigante tecnológica como a Google lançou o Google Plus em 2011, houve quem vaticinasse o fim destas e outras rede sociais. Não foi assim e, esta terça-feira, a Google começou a eliminar contas de utilizadores da plataforma.

A aposta da Google com o Plus era ousada, mas estava sustentada por uma empresa que, já na altura, estava à frente da inovação tecnológica na Internet. Em 2011 o Facebook ainda não tinha sequer a cronologia e o Instagram ainda não tinha sido adquirido. Numa época em que fake news não geravam grande preocupação e não se sabia ainda de casos como o da Cambridge Analytica, a Google propôs uma rede social diferente. As ferramentas da plataforma estimulavam a conversa por grupos de amigos, uma das principais apostas atuais do Facebook, e promovia-se por manter a privacidade dos utilizadores.

Na melhor altura, o Google Plus chegou a ter 111 milhões de utilizadores. Contudo, não foi suficiente para fazer frente a outras redes sociais. Para chegar a este número, a Google chegou a impor que para utilizar todos os serviços da Google os utilizadores tivessem de ter uma conta na plataforma, à semelhança do que faz atualmente com o Gmail. Contudo, ao obrigar em 2013 que fosse necessário associar uma conta da rede social a plataformas Google como o YouTube para comentar, a empresa começou a incomodar utilizadores que queriam contas separadas. Mesmo o Facebook, ao criar mais sinergias entre o Instagram e o Facebook, não optou por este caminho para conter a perda de utilizadores da rede social-mãe.

“Era um objetivo bem-intencionado, mas apercebemo-nos que levava a experiências de utilização que os utilizadores por vezes consideravam confusas”, explicava Bradley Horowitz, responsável pela Google+ ao Wall Street Journal em 2015. Ao mudar esta obrigação, no mesmo ano, o Observador escreveu ao noticiar o fim da imposição: “A rede social Google+ já não é uma prioridade”. Foi o início da queda do Google+ mas também a aceitação pela Google de que já não valia a pena concorrer desta forma com o Facebook.

Até esta terça-feira, o Google+ continuou a funcionar. O “baixo nível de utilizadores”, como afirmou a Google, não foi o suficiente para fechar de vez a rede social. No entanto, nem a Google está livre de falhas de proteção de dados e foi através do Google Plus que se descobriu que cometeu um erro grave em outubro: deixou expostos dados pessoais de cerca de meio milhão de contas. Para tentar conter o problema, suspendeu os serviços da rede social e afirmou que esta ia encerrar completamente passados 10 meses. Mas surgiu um novo impasse: dois meses depois, foi detetada uma nova falha de segurança que deixou exposta informação pessoal de 52,5 milhões de utilizadores.

“Com a descoberta deste novo erro de software, decidimos acelerar o encerramento do Google+ de agosto de 2019 para abril de 2019”, disse David Thacker, vice-presidente da gestão de produto da Google. Já não havia volta a dar. Desde dezembro começou a contagem que acabou a 2 de abril, esta terça-feira. Agora, a Google já está a apagar definitivamente toda a informação que estava ainda na rede social, um processo que vai demorar “alguns meses”, refere o The Verge. Se ainda tiver algum vídeo ou ficheiro que não tinha guardado, pode já ser tarde. O Google Plus morreu.