A Organização Internacional para as Migrações (OIM) disse esta quarta-feira que um dos atuais desafios da Grécia é o aumento de locais de acolhimento de migrantes em território continental, de forma a aliviar as ilhas gregas sobrelotadas.

O responsável da OIM para a Grécia, Gianluca Rocco, informou que a situação nas ilhas gregas é, neste momento, “melhor”, em parte devido aos esforços desenvolvidos desde setembro último pelo Ministério da Migração grego para transferir requerentes de asilo, salientando, no entanto, que a grande questão passa agora pelo aumento de locais de acolhimento e de alojamento no território continental do país.

As ilhas gregas, nomeadamente as ilhas do mar Egeu, localizadas em frente à Turquia, receberam ao longo dos últimos anos vários milhares de migrantes e refugiados que tentavam chegar à Europa. Muitos milhares permanecem nas ilhas em centros de acolhimento sobrelotados e em “condições degradantes”, denunciaram recentemente várias organizações não-governamentais (ONG) presentes no terreno, que também apontaram o fracasso da gestão migratória da União Europeia (UE).

Para enfrentar a sobrelotação dos centros de acolhimento nas ilhas, a OIM alugou um total de 56 hotéis onde estão a viver atualmente 6.310 pessoas, uma solução temporária que a organização liderada pelo português António Vitorino espera estender até pelo menos ao mês de junho, mas a aproximação da temporada estival poderá dificultar a renovação dos acordos.

A estratégia da OIM poderá ainda passar pela ampliação de vagas em acampamentos no território continental grego, mas também pela adaptação de edifícios públicos para acolher requerentes de asilo. Esta última opção ainda está a ser avaliada. Neste momento, foram instaladas tendas, de forma temporária, nos campos de Nea Cavala e Skaramagás (no território continental grego), segundo Gianluca Rocco.

O representante da OIM referiu que a recente decisão do Governo grego de fixar em seis meses o tempo máximo de permanência em locais públicos de acolhimento por parte de refugiados já legalmente reconhecidos também vai contribuir para aumentar as vagas disponíveis.

Para Gianluca Rocco, esta decisão é um “grande passo” porque pressupõe uma estratégia também focada na saída dos refugiados do sistema de proteção e não apenas na gestão dos migrantes recém-chegados. O representante sublinhou ainda a importância dos programas de integração que o Governo grego está a começar a aplicar, enfatizando a necessidade de manter um equilíbrio entre os refugiados apoiados e os gregos mais vulneráveis, desempregados ou mesmo gravemente afetados após a crise económica que atravessou o país.

Segundo os dados mais recentes da OIM, cerca de 5.482 migrantes chegaram à Grécia por via marítima desde o início deste ano e até 27 de março. A maioria dos migrantes contabilizados são procedentes da Turquia e tiveram como principais locais de desembarque as ilhas gregas de Lesbos, Kos, Samos, Rhodes, Kalymnos, Megisti, Leros e Chios.