Religião

Igreja do século XIV encerrada por risco de queda de blocos na Lourinhã

Os blocos que estão em risco de cair estão na zona da abóbada da igreja. Esta é um monumento gótico, erguido no século XII por um cruzado de D. Afonso Henriques e ampliada no século XIV.

MÁRIO CRUZ/LUSA

A Igreja do Castelo da Lourinhã, monumento nacional do século XIV, foi encerrada ao público por “risco de queda de blocos na zona da abóbada”, disse hoje à agência Lusa um dos vereadores da Câmara Municipal. João Serra, vereador com o pelouro das empreitadas deste município do distrito de Lisboa, disse à Lusa que estudos efetuados no âmbito da requalificação urbana da zona envolvente à igreja concluíram que existe “risco de queda de blocos na zona da abóbada” do monumento.

Após parecer pedido à Proteção Civil e após envolver paróquia e Direção-Geral do Património Cultural (DGPC), foi decidido encerrar ao público a igreja, “que não pode abrir enquanto não forem minimizados os riscos”. Depois do estudo geofísico efetuado no exterior do monumento, a autarquia encomendou também a uma empresa externa um novo estudo de monitorização no seu interior e está também a fazer o levantamento das soluções de intervenção e respetivos custos.

“Queremos minimizar o risco, mas também queremos perceber porque existe esse risco”, explicou o autarca, garantindo que a autarquia “não pretende fazer intervenções que ponham em causa a igreja”. A autarquia reclamou também por uma intervenção junto da DGPC, por a igreja ser património do Estado.A Igreja do Castelo, também chamada de Igreja Matriz da Lourinhã ou Igreja de Santa Maria, é monumento nacional desde 1910.

O nome está associado ao facto de poder ter sido construída dentro das muralhas de um antigo castelo desaparecido. Terá sido erguida no século XII por D. Jordão, cruzado francês a quem D. Afonso Henriques doou as terras da Lourinhã como recompensa pelos serviços prestados na conquista de Lisboa aos mouros, e reedificada e ampliada no século XIV por D. Lourenço Vicente, Arcebispo de Braga, defensor e conselheiro próximo do Mestre de Avis durante a crise de 1383/1385.

Trata-se de um monumento gótico, com uma nave central composta por oito arcos ogivais, sustentados por monolíticas em calcário, rematadas com capitéis, trabalhados e embelezados com motivos vegetalistas. Entre outros motivos góticos, o pórtico principal possui uma rosácea da época, quatro arquivoltas com capitéis com cenas da vida familiar rural e do antigo testamento e uma porta norte ogival, com elementos decorativos alusivos aos caminhos de peregrinação a Santiago de Compostela.

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