Karl Lagerfeld, diretor criativo da Chanel e uma das grandes figuras da moda do último século, escondeu a doença de que padecia — cancro do pâncreas — de quase toda a gente, inclusive de boa parte do seu círculo mais próximo. Quando morreu, no dia 19 de fevereiro deste ano, com 85 anos, poucos sabiam da gravidade da sua condição de saúde. A revelação foi feita por uma das suas amigas mais próximas e uma das maiores musas da marca francesa das últimas décadas (foi a primeira a assinar um contrato de exclusividade com uma marca de moda de luxo, em 1983), Inès de la Fressange, numa entrevista à France 2, emitida esta segunda-feira e citada pelos jornais espanhóis ABC e El País.

A ex-manequim Inès de la Fressange foi uma das musas de Lagerfeld durante a sua direção criativa na Chanel @ FRANCOIS GUILLOT/AFP/Getty Images

O designer alemão que revolucionou a indústria da moda conseguiu faltar apenas a um desfile da marca a que se associara há 35 anos. Estava “demasiado cansado para poder estar presente”, revelou a modelo, agora designer e executiva da indústria da moda, Inès de la Fressange, de 61 anos. A ausência terá sido especialmente dolorosa para o diretor criativo da Chanel, já que este “estava em total negação da sua condição frágil de saúde” e “temia a doença e os hospitais”.

Apesar da proximidade que Karl Lagerfeld tinha com Inès de la Fressange, nem a própria estava a par da gravidade da sua doença. Apesar de tudo, foi-se apercebendo de que se passava algo grave pelas entrelinhas, como contou nesta entrevista à France 2: “Uma vez, mandei-lhe uma mensagem a pedir que viesse ao dia de Ano Novo. Ele disse-me: Tenho um bocado de frio. Na linguagem de Karl Lagerfeld, isso significa: estou muito doente”.

A última vez que Inès de la Fressange viu o antigo diretor criativo da Chanel e da Fendi num desfile foi em setembro do ano passado, cerca de cinco meses antes de o alemão ter morrido num hospital parisiense em que dera entrada de urgência na véspera. Esse foi também o penúltimo desfile da Chanel em que Lagerfeld esteve presente. “Pela primeira vez, agarrou-me a mão e não a soltou”, contou agora a francesa, que já havia escrito uma carta de homenagem a Lagerfeld em fevereiro, que acabou por ser publicada no jornal Daily Mail.