Mais de 40 mil deslocados no noroeste da Síria tiveram de sair dos campos onde estavam, devido a importantes inundações provocadas pelas chuvas torrenciais nos últimos três dias, anunciou esta terça-feira um porta-voz da Organização das Nações Unidas (ONU).

Cerca de 14 campos tiveram de ser evacuados na região de Idlib, declarou à AFP o porta-voz da agência da ONU para os Assuntos Humanitários (OCHA, na sigla em inglês).

Esta região, que está sob o controlo do grupo Hayat Tahrir al-Cham, ligado à Al-Qaida, abriga mais de três milhões de pessoas, dos quais mais de metade foram deslocadas das suas casas pela guerra na Síria, que já dura há oito anos.

Os capacetes brancos, socorristas que operam nas zonas sob controlo rebelde, estão a tentar desde segunda-feira retirar as pessoas dos campos e salvar os seus poucos pertences das águas enlameadas.

No segundo dia consecutivo, os capacetes brancos (…) continuam a enfrentar a situação catastrófica nos campos do norte da Síria”, declarou na noite de segunda-feira esta equipa de socorristas na rede social Twitter.

Um vídeo divulgado pelos capacetes brancos na mesma rede mostrou uma tenda sob uma água acastanhada. Num outro vídeo, os socorristas agarravam-se a uma corda para não serem arrastados pela torrente que lhes chegava aos joelhos.

As intempéries afetaram várias dezenas de milhares de civis, mas também os campos e as reservas agrícolas na região de Idlib e na vizinha de Alepo, onde um hospital foi colocado fora de serviço depois de ter sido inundado. A região de Hassaké, no nordeste, também, foi afetada.

Com dezenas de milhares de deslocados, o norte da Síria depende maioritariamente da ajuda humanitária e a sua população está desprovida de tudo, designadamente de meios para enfrentar o frio e a humidade.