Foi adiado o julgamento de Luís Xavier, o homem acusado de torturar e matar a mãe, de 86 anos, na sua casa no Pinhal Novo, no concelho de Palmela, em abril do ano passado. O julgamento estava marcado para as 9h15 desta quinta-feira, no Tribunal Judicial da Comarca de Setúbal mas o arguido não compareceu, de acordo com Jornal de Notícias.

O Hospital Prisional de São João de Deus, em Caxias, onde Luís Xavier se encontra em prisão preventiva, alega não ter sido notificado para levar o arguido ao tribunal, para o julgamento, segundo o mesmo jornal. Além da sessão desta quinta-feira, estava ainda uma outra para o dia 23 de maio.

Não se sabe, para já, a nova data para o início do julgamento, em que Luís Xavier irá responder por homicídio qualificado. O Ministério Público acusa o homem — à data do crime, com 39 anos — de ter matado a mãe na própria casa, um dia depois do seu aniversário de 86 anos. À Polícia Judiciária (PJ), o arguido confessou o crime e explicou que apenas queria libertar a mãe de um mal: o demónio.

Depois da festa de aniversário, Luís terá pernoitado na casa dos pais. No final do dia seguinte, um desentendimento com a mãe, Albertina Xavier, tê-lo-á levado a cometer o crime, depois de acreditar ela que estava possuída pelo Diabo. O ritual durou cerca de 16 horas, explicou fonte da PJ ao Observador. O arguido pontapeou, estrangulou e, com o auxílio de uma caneta, provocou vários ferimentos na face e no pescoço de Albertina Xavier, que acabou por morrer.

Na manhã seguinte, no domingo, Luís Xavier enrolou o corpo da mãe numa manta e permaneceu sentado junto do corpo da mãe, “segurando a sua mão, pedindo desculpa pelo mal que havia feito”, contou o próprio à PJ. O pai, com uma doença terminal, estava no quarto no momento do crime e não se terá apercebido de nada.

Foi um cunhado que encontrou aquele cenário, ao final da manhã. A mulher, filha de Albertina, estava há mais de um dia sem saber nada da mãe, que não lhe atendia o telemóvel. Acabou por pedir ao marido que fosse à casa dos sogros para verificar que estava tudo bem. O cunhado de Luís Xavier encontrou o corpo da sogra, já coberto com uma manta. Chamou a polícia e Luís foi detido, sem mostrar resistência.

Por causa da confissão “estranha”, das referências a entidades sobrenaturais e do relato descompensado, foi submetido a testes psicológicos e psiquiátricos. Os peritos, porém, consideraram-no consciente dos seus atos, capaz de distinguir o certo do errado, o bem do mal e, por isso, imputável. Arrisca-se, assim, a passar os próximos 12 a 25 anos na prisão.