O Papa Francisco nomeou esta quinta-feira o bispo norte-americano Wilton Gregory para o cargo de arcebispo de Washington, uma das posições mais importantes da Igreja Católica nos Estados Unidos. Gregory, o único arcebispo afro-americano, substitui assim o cardeal Donald Wuerl, que resignou em outubro do ano passado na sequência de grande contestação devido ao escândalo dos abusos sexuais.

A divulgação do relatório da Pensilvânia, que revelou detalhes de abusos sexuais cometidos por mais de 300 padres ao longo das últimas décadas no estado norte-americano da Pensilvânia, colocou o cardeal Wuerl sob fogo. Wuerl não apenas teria encoberto vários crimes de padres da  diocese de Washington como também teria ocultado os crimes do ex-cardeal Theodore McCarrick, que foi expulso do sacerdócio este ano na sequência das acusações de abusos sexuais.

Wuerl acabaria mesmo por apresentar ao Papa Francisco a renúncia ao lugar após semanas de contestação. E só quase seis meses depois foi possível encontrar um substituto para o cardeal.

O jornal norte-americano The Washington Post explica que o escolhido, Wilton Gregory, será o primeiro africano negro a chegar a cardeal, uma vez que a diocese de Washington é, tradicionalmente, liderada por um cardeal. Aos 71 anos, o até agora arcebispo de Atlanta foi um dos líderes católicos norte-americanos mais empenhados na luta contra os abusos sexuais, sendo considerado um dos rostos visíveis desta campanha.

Gregory foi um dos envolvidos na preparação das primeiras normas para a prevenção dos abusos nos Estados Unidos — um documento considerado um dos mais avançados do mundo nesta matéria. O novo arcebispo de Washington terá a missão de limpar a imagem de uma diocese cujos últimos dois arcebispos estiveram envolvidos no escândalo dos abusos sexuais.

“As pessoas estão furiosas, tal como devem estar, porque a nossa Igreja é, novamente, vista como um refúgio para comportamentos desviantes e criminais”, disse recentemente Wilton Gregory, numa carta aos fiéis em que comentava o escândalo dos abusos nos Estados Unidos da América.

O novo arcebispo de Washington tem experiência de peso nesta questão: foi presidente da Conferência Episcopal dos Estados Unidos entre 2001 e 2004, precisamente na altura em que o jornal Boston Globe divulgou as reportagens sobre os abusos sexuais na diocese de Boston que viriam a marcar uma viragem na forma como a hierarquia da Igreja encara este problema (e que mais tarde foram retratadas no filme Spotlight).