O Sporting venceu o Benfica por 1-0 na 2ª mão das meias-finais da Taça de Portugal e apurou-se para o jogo decisivo da “prova-rainha” do futebol português. O resultado de um jogo equilibrado, tanto dentro de campo como nas declarações dos dois treinadores. Com justiças e filosofias diferentes, Marcel Keizer e Bruno Lage dividiram-se quanto ao resultado: para Keizer a vantagem foi justa, para Lage o Benfica merecia mais.

“Faltou marcar o golo nas oportunidades que tivemos, tanto na primeira como na segunda-mão. Os remates do Seferovic e do Jonas de hoje mereciam claramente outro resultado. Foi um jogo muito equilibrado, com oportunidades repartidas, mas o empate seria o mais justo”, disse o treinador do Benfica.

Mas para Bruno Lage nem só o resultado importa: o jogo foi aborrecido, quase tanto como a eliminação. “Não foi um grande jogo. De todos os jogos que fizemos com os grandes foi o menos divertido. Houve muitas paragens, pouca bola, pouca alegria. O jogo esteve constantemente parado. Mas isso também foi responsabilidade nossa, que não demos dinâmica”.

Já sobre a confusão ocorrida no final da partida, Lage diz que não viu, mas estranhou expulsão de Rafa Silva. “Vi uma tremenda confusão, mas estava a cumprimentar os árbitros. Só sei que foi amarelo para o Rafa e expulsão, o que é curioso, visto que estava ali muita gente”.

Algo que não preocupou o treinador dos encarnados, até porque há coisas mais importantes. A lesão de Gabriel e os jogos que faltam: “Não sabemos nada ainda do Gabriel, ainda não houve tempo de avaliar”, acrescentando que a equipa tinha “o sonho de chegar à final”, mas que há um sonho maior, que são “as várias finais do campeonato”.

Já Marcel Keizer alinhou em algumas filosofias de Lage, mas discordou de outras. Sobre o apuramento dos leões, o treinador holandês segue o pensamento do português, olhando já para o futuro:

“Ainda não ganhámos a final. Ganhámos a meia-final e estamos na final, a segunda do ano. É bom para os jogadores, para o clube, mas chegar à final não é ganhar a final. Ainda temos esse e sete jogos pela frente”, disse. Mas quando o tema foi a justiça do resultado, os caminhos separaram-se: “Só houve uma equipa a querer ganhar hoje e essa equipa é o Sporting”.

Sobre a final, os fantasmas do ano passado não assustam Keizer: “A final é um jogo muito importante. Ganhámos a primeira deste jogo. São jogos grandes, mas aquilo que aconteceu no jogo do ano passado não cabe a mim comentar, o importante são os jogos que faltam”.

Faltam sete para o campeonato e o treinador holandês estará a contar com todos, principalmente com Bruno Fernandes. Sobre o homem-do-jogo, Keizer assume a sua importância, mas insere-a no coletivo: “Temos o Bruno. É bom ele aplicar as suas qualidades no jogo para a equipa, porque este é um jogo de equipa”. Um jogador que dá boas emoções à equipa, mas num momento em que é preciso manter a calma: “Fiquei extremamente feliz com o golo, merecíamos, estivemos o jogo todo atrás do golo. Não é fácil marcar e não sofrer. Tentámos tudo o que podíamos. Estamos muito felizes, mas agora temos de controlar as emoções e lutar até ao final”.