70 segundos. Foi este o tempo após a descolagem que um dos sensores do Boeing 737 MAX 8 utilizado pela Ethiopian Airlines demorou a enviar informações erradas ao sistema do avião que, minutos depois, acabou por se despenhar na Etiópia, matando 157 pessoas. Esta foi uma das conclusões do relatório preliminar apresentado esta quinta-feira, que revelou que o acidente terá sido causado pelo sistema automático de compensação do avião, o MCAS.

Durante os seis minutos em que estiveram no ar, os dois pilotos lutaram contra este sistema automático e aplicaram todos os procedimentos recomendados pela Boeing para voltar a ter o controlo do sistema. Juntos, tentaram “puxar” o nariz do avião para cima, uma vez que os valores enviados pelos sensores estavam a fazer com que o nariz do avião fosse baixando gradualmente. Os pilotos tentaram recuperar o controlo quatro vezes, mas nas quatro tentativas a aeronave voltou a baixar. “Puxa para cima”, gritou um dos pilotos três vezes. Mas, a força descendente do avião era tal, que não conseguiram recuperar o controlo, conta a CNN, que teve acesso ao relatório preliminar.

Apesar de o relatório não abordar especificamente o sistema MCAS, que é ativado de forma automática e aplica um estabilizador horizontal quando a aeronave entra em situação de queda ou perda de sustentação, a desconfiança levantada por todos os resultados obtidos indicam um problema com este sistema. Caso se venha a confirmar este motivo, terá sido o mesmo problema do Boeing 737 MAX 8 da Lion Air que em outubro do ano passado se despenhou na Indonésia, provocando 189 vítimas mortais.

No mês passado, o diretor executivo da Ethiopian Airlines revelou ao Wall Street Journal que um dos pilotos reportou à torre de controlo minutos antes do avião cair que estava a ter problemas no sistema de controlo. O piloto “reportou aos controladores de tráfego aéreo que estava ter problemas no controlo do voo”, explicou Tewolde GebreMariam. Depois de reportar esses problemas, os dois pilotos tiveram autorização para regressar ao aeroporto.

Este foi o segundo acidente com um Boeing 737 MAX 8 num espaço de cinco meses. O facto de ter acontecido com o mesmo modelo de avião da Beoing fez com que várias companhias aéreas de todo o mundo temessem a segurança destes aparelhos e, por isso, suspendessem os voos com este aparelho.