Depois do semanário Expresso noticiar que o edifício do próximo canal de televisão da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) — instalado na chamada Cidade do Futebol, em Oeiras — foi construído com recurso a obras ilegais, fonte da Federação desvalorizou a informação ao Observador e afirmou que a FPF já terá acedido às exigências da autarquia local. O Expresso tinha anunciado também que a câmara municipal de Oeiras abrira uma contra-ordenação, que prevê coima que pode ir até 450 mil euros, devido à ilegalidade das obras.

O problema, contudo, estará resolvido. Ao Observador, fonte da FPF garantiu que a instituição “tem licença de construção definitiva da câmara” e que esta licença “está afixada na obra da Cidade do Futebol”. A entidade reconhece que durante alguns dias a obra não tinha afixada a placa com a informação que era exigida mas que, após informação da autarquia, já retificou a lacuna.

O nascimento de um novo canal de televisão da Federação Portuguesa de Futebol tem causado polémica. Antes das dúvidas acerca da legalidade das obras de construção da sede da nova estação, a discussão tinha estado concentrada num acordo celebrado entre a RTP e a FPF, que previa a partilha de direitos de transmissão, meios e recursos entre os dois canais até 2022. Estava ainda acordado o acesso de cada estação aos arquivos da parceira até esse ano.

A discórdia — que chegou à Assembleia da República, alimentada em pleno parlamento pelo primeiro-ministro António Costa e pela líder do BE Catarina Martins — resultou, em parte, da circunstância contratual do jornalista Carlos Daniel, que manteve o vínculo (via licença sem vencimento) à RTP, apesar de ter assumido a pasta de diretor de conteúdos do novo canal de televisão da FPF. Outro argumento utilizado para criticar o acordo foi o apoio (via parceria) da estação do Estado a uma possível concorrente.

Já no início deste mês, o jornalista Carlos Daniel anunciou a sua saída da FPF para regressar à RTP.