Na próxima terça-feira, o FC Porto vai visitar Anfield Road. Os dragões deslocam-se a Liverpool, terra dos Beatles e dos reds que agora são de Jürgen Klopp. O Liverpool, que luta ativamente pela conquista da Premier League e que quer reeditar a presença na final da Liga dos Campeões que na temporada passada perdeu para o Real Madrid, tem um tridente ofensivo de luxo: Salah, Mané e Firmino, egípcio, senegalês e brasileiro, são o eixo sobre o qual giram os reds e o principal destaque de uma equipa de futebol atacante, agressivo e eficaz, à imagem e semelhança do seu treinador.

O FC Porto joga de forma diferente. Lá na frente, pode jogar Marega, pode jogar Fernando Andrade, pode jogar Adrián e até Aboubakar, ausente há meses por lesão. Podem jogar todos estes; mas existe um que, por responsabilidade própria, há muito já deixou o condicional do verbo. Tiquinho Soares, que chegou aos dragões, como tantos outros, proveniente de uma equipa mais pequena e com rótulo de contratação de inverno que pouco ou nada teria a acrescentar, é um dos elementos fulcrais para Sérgio Conceição, quase indispensável na organização ofensiva da equipa e o melhor marcador do FC Porto.

Esta sexta-feira, com o Boavista, Soares marcou mais um — substituiu Alex Telles, lesionado, na cobrança das grandes penalidades –, estabeleceu o melhor registo na Primeira Liga enquanto jogador do FC Porto (12 golos) e reforçou o estatuto de principal artilheiro dos dragões, com 19 golos em todas as competições. Mais do que marcar, Soares faz jogar e está presente no esquema atacante da equipa com assistências, passes em profundidade e desmarcações sem bola que passam despercebidas mas que arrastam defesas e abrem espaços na organização adversária.

Soares, cada vez mais influente, cada vez mais decisivo, cada vez mais necessário, será a principal referência ofensiva do FC Porto frente ao Liverpool e nas seis finais que restam no Campeonato. Até porque Marega, preponderante na conquista do título da temporada passada mas apagado desde que se lesionou (não marca desde o início de março e aí não marcava desde janeiro), é cada vez mais uma ilha no setor mais adiantado dos dragões: contra o Boavista, só acertou um passe na primeira parte e na segunda só tocou na bola já depois dos 65 minutos.