A coordenadora do BE, Catarina Martins, criticou este sábado o “espetáculo um pouco deplorável” de PS e PSD “tentarem perceber quem é que teve mais familiares no Governo”, lamentando que o debate político esteja longe de onde devia.

No encerramento do II Encontro Nacional do Trabalho Local do Bloco de Esquerda, que decorreu na Amadora, em Lisboa, Catarina Martins considerou que, quando se está a “escolher sobre as questões mais essenciais”, constata-se que “o debate político tem ido para todo o lado, menos para onde deve estar”, que é nas propostas para o país e para a vida concreta das pessoas.

“Nos últimos dias temos assistido a um espetáculo um pouco deplorável. Vemos PS e PSD a tentarem perceber quem é que teve mais familiares no Governo, vemos o PSD a tentar perceber se o Paulo Rangel tinha razão quando defendia que os advogados não podiam ser deputados ou afinal tem razão quando acumula as duas funções como se nada fosse”, criticou.

Mas a líder do BE não deixou de fora o CDS-PP, acusando os centristas de estarem a “tentar esconder” Nuno Melo e “a apresentar já os candidatos para as legislativas como se nem sequer houvesse eleições europeias”.

“Não vemos ninguém a debater o que importa”, condenou.

“Nas europeias também se decidem condições do próximo Governo”

Ao mesmo tempo, e no mesmo encontro, Catarina Martins avisou que nas eleições europeias também se decidem as condições do próximo Governo de Portugal sobre investimento ou questões laborais, pedindo que “ninguém pense que a Europa é lá longe”.

“Que ninguém se resigne, que ninguém pense que a Europa é lá longe porque vai estar no cheque da pensão, no recibo do salário, nas condições do centro de saúde, vai estar na sala de aula, no transporte, nas condições ambientais, vai estar em todos os lugares concretos da nossa vida”, apelou Catarina Martins no discurso de encerramento do II Encontro Nacional do Trabalho Local do BE, que decorreu hoje na Amadora, distrito de Lisboa.

Na opinião da líder do Bloco de Esquerda, nas eleições europeias agendadas para 26 de maio vão decidir-se “as condições também do próximo Governo de Portugal, se tem ou não condições para fazer investimento, para subir salários, se tem a coragem de defender quem trabalha e quem constrói este país”.

“O debate da campanha europeia é o debate sobre se o nosso país tem ou não o direito a escolher onde investe a sua riqueza, se o nosso país pode ou não escolher que o Serviço Nacional de Saúde é mais importante do que pagar à Lone Star que ficou com o Novo Banco, se o nosso país pode ou não escolher que importante é ter uma escola pública forte e ser capaz de renegociar a dívida pública, porque a predação do sistema financeiro é o que está a afundar as nossas capacidades”, elencou.

O BE, garantiu Catarina Martins, não esconde a cabeça de lista do partido às eleições europeias, Marisa Matias, tem propostas para fazer e orgulha-se do que tem feito.

“As eleições europeias vão ser sobre isto mesmo: vão ser a escolha entre fazer acordos para ficar tudo na mesma ou quem luta pela dignidade no nosso país, vai a ser a escolha entre quem continua a entregar toda a nossa riqueza a bancos privados ou quem diz que queremos ter um SNS mais forte, mais transportes, mais escola, mais justiça”, antecipou.

Para a líder bloquista, essa escolha, nas eleições para o Parlamento Europeu, vai ser também “uma avaliação do que o Bloco tem feito”.

“O apelo que vos faço é: não esqueçamos que este caminho deste ano, que é um caminho para reforçar a exigência em Portugal, é este caminho que começa já com as europeias e que não podemos distrair-nos com aquilo que nos querem oferecer nas aberturas de telejornais ou nos comentários de todos os dias”, pediu.