Porsche

Desportivos, berlinas e SUV recolhidos por serem perigosos

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Boxster, Cayman, Panamera e Cayenne são chamados às oficinas, mas só nos EUA. Apesar do risco, pois são todos produzidos na Alemanha, os Porsche à venda na Europa não são alvo do mesmo tratamento.

Todos os Porsche, sejam eles destinados à Europa, Ásia ou EUA, são produzidos na Alemanha, mais precisamente em Zuffenhausen, em Estugarda, onde nascem os desportivos tradicionais (911 e 718, Cayman e Boxster), e em Leipzig, onde surgem os veículos produzidos com base em modelos da Audi, nomeadamente o Panamera, o Cayenne e o Macan. Grande parte deles está envolvida em duas chamadas gerais à oficina, por parte das autoridades americanas que, ao contrário das europeias, cuidam de forma mais célere dos interesses dos seus cidadãos.

Há duas campanhas em curso nos EUA, relativas a modelos da Porsche. Segundo a lei americana, imposta pela National Highway Traffic Safety Administration (NHTSA), todos os fabricantes que tenham conhecimento de um defeito nos seus veículos são obrigados a realizar prontamente uma chamada pública às oficinas, para que os proprietários possam exigir que o seu veículo seja actualizado e a sua família deixe de ser exposta ao risco. Ao contrário do que acontece nos EUA, a legislação europeia é muito mais permissiva, o que sujeita os condutores a um risco maior, na maioria dos casos sem conhecimento de causa (ou da dimensão).

Vem isto a propósito de duas chamadas à oficina que a Porsche foi obrigada a efectuar nos EUA (mas não na Europa, pelo menos publicamente) em relação ao 718, tanto na variante com carroçaria fechada, o Cayman, como aberta, o Boxster. Nas versões S e GTS, fabricadas entre 2017 e 2019, há uma fixação na frente do modelo, descrita como ligação da bagageira ao chassi, que se pode separar do veículo, em caso de acidente.

O problema principal não é a frente do carro desaparecer em caso de embate, por estar deficientemente fixada à carroçaria, mas sim o facto de, caso se verifique uma fuga de combustível – o que não é improvável, pois o depósito está à frente (a tal parte que se separa da carroçaria) -,  tudo se transformar numa combustão espontânea que acaba num churrasco de quem vai a bordo. Há 14.388 unidades vendidas nos EUA com este problema, desconhecendo-se quantas existem na Europa, devido à forma como a legislação europeia protege mais os fabricantes que os clientes.

Como se isto não bastasse, ainda segundo a NHTSA, o Panamera de 2018 e o Cayenne de 2019 enfermam de um problema relativo ao software. Só nos EUA, há 14.110 veículos cujo sistema de detecção de uso excessivo de pastilhas de travão pode não funcionar, levando os seus condutores a ter de enfrentar a perigosa situação de não ter travões à altura, numa travagem de emergência. Para mais, quando se tratam de veículos capazes de atingir velocidades elevadas acima da média.

Estes alertas dispararam uma reacção pronta dos concessionários americanos da marca, sem igual por parte dos congéneres europeus. Enquanto do lado de lá do Atlântico há urgência em reparar a situação, do lado de cá o problema é abordado com muito mais “calma” e secretismo, pois o público em geral não tem conhecimento do recall e, caso um cliente tenha adquirido um Porsche usado, é altamente provável que a marca não tenha acesso ao novo proprietário.

De acordo com a NHTSA, os concessionários americanos vão proceder à actualização do software a partir de 21 de Abril, dia em que a Porsche vai começar igualmente a reparar os modelos que podem ver desaparecer a bagageira em caso de embate. Entretanto, ao contrário do que acontece na Europa, os condutores americanos podem acompanhar a situação, munidos apenas do VIN (Vehicle Identification Number) através do site da NHTSA.

Este nem sequer é o maior recall da Porsche pois, em Dezembro de 2018, a marca alemã viu-se obrigada a chamar às oficinas 74.585 unidades do Panamera, devido a problemas na direcção assistida electricamente. Destes, 19.200 foram comercializados nos EUA e Canadá. O mais curioso é que se esta informação é prestada ao público americano em geral (como pode ver aqui ou aqui), na Europa, onde os veículos são efectivamente construídos e também comercializados, tudo fica no segredo dos deuses ou à discrição dos concessionários da marca.

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