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Violência Doméstica

Heila Lopes, a vítima de Zé das Cabras, é a 12.ª mulher a morrer este ano vítima de violência doméstica

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Em 15 semanas do ano, já morreram 14 vítimas de violência doméstica, 12 delas mulheres. Zé das Cabras disse aos amigos da antiga namorada que se podiam despedir dela para sempre. E cumpriu a ameaça.

Heila Lopes nasceu no Brasil, mas naturalizou-se portuguesa (Foto retirada do Facebook)

Foi a filha de 14 anos que encontrou Heila Lopes, já sem vida, na banheira da sua casa em Torres Vedras. As marcas negras no pescoço indiciam que a morte terá sido por estrangulamento, embora ainda não sejam conhecidos os resultados da autópsia. O autor do crime será um antigo companheiro de Heila que nunca aceitou o fim da relação. Zé das Cabras, como era conhecido António José Silva, já foi detido e deverá ser presente a um juiz na segunda-feira, escreve o Correio da Manhã.

O pastor de 54 anos cumpriu a ameaça. Poucas horas antes de assassinar a mulher de 44 anos, avisou os colegas de Heila que podiam “despedir-se dela”, escreve o Jornal de Notícias, citando um vizinho que pede o anonimato. À antiga namorada prometeu mesmo matá-la, com todas as letras. O crime aconteceu na madrugada de sábado e a morte de Heila Lopes eleva para 14 o número de vítimas de violência doméstica, mortas durante as primeira 15 semanas do ano. Treze delas são mulheres a que se somam um homem e uma criança.

Segundo escrevem o Correio da Manhã e o Jornal e Notícias, as ameaças de Zé das Cabras eram frequentes e o historial de violência física era longo. Terá mesmo sido isso que o levou a separar-se de uma outra mulher com quem foi casado e que terá apresentado várias queixas na polícia contra o pastor.

Com Heila — nascida no Brasil e naturalizada portuguesa, mãe de uma jovem de 14 anos e de um rapaz de 20 –, as ameaças faziam parte do dia a dia. E terá sido depois de a mulher ter decidido terminar a relação que subiram de tom.

Zé das Cabras simplesmente não aceitava a decisão da namorada de terminar a relação. Heila tinha, entretanto, um novo companheiro e há dois dias que tinha iniciado um novo desafio profissional: era gerente do bar recém-comprado pelo namorado.

Segundo o JN, o pastor terá esperado que Heila saísse do bar, seguindo-a até casa para perpetrar o crime. Depois, fugiu. A GNR acabou por deter o homem em sua casa, na localidade rural de Ventosa, a 10 quilómetros de Torres Vedras.

As colegas de Heila, que inicialmente não ligaram às ameaças, acabaram por pedir à filha da vítima — que estava a dormir em casa de amigas — que fosse à procura da mãe. Por volta das cinco da manhã, escreve o jornal, umas das amigas, preocupada, ligou à jovem e pediu-lhe que fosse a casa e procurasse Helia “por toda a parte”. “Se não a encontrares, liga para a Polícia”, disse.

Durante a fuga, escreve o CM, Zé das Cabras terá enviado uma mensagem a um amigo dizendo que ia matar também o namorado de Heila e que se suicidaria em seguida. Enquanto a PSP garantia a preservação do corpo em Torres Vedras, a GNR entrava em cena. Arrombou a porta de casa de Zé das Cabras que foi detido sem resistir.

Levado para provisoriamente para o posto da GNR, acabou entregue à Polícia Judiciária. Na segunda-feira será presente a um juiz do Tribunal de Torres Vedras. O cadáver de Heila Lopes foi transportado para o Instituto de Medicina Legal de Lisboa, onde será autopsiado.

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