Não é fácil convencer um cliente a adquirir um veículo muito mais caro, quando é o mais barato que possui as melhores soluções e tecnologias. Isto é válido sobretudo no segmento premium, onde os compradores tendem a ‘agarrar-se’ mais a estes detalhes. Veja-se por exemplo o caso da Audi, que começou por apresentar o A8, com toda a sua tecnologia, duplo ecrã, sistema mild hybrid, barras estabilizadoras activas roda-a-roda, sendo que depois estas soluções – mas não todas – passaram a ser disponibilizadas nos modelos mais pequenos e acessíveis que surgiram posteriormente.

Ao contrário desta tradicional priorização, favorecendo os veículos maiores e mais caros, a Tesla optou por fazer o contrário. Quando o Model 3 surgiu no mercado, fê-lo com um novo tipo de células de bateria, as 2170 em vez das anteriores 18650, que são mais eficientes por terem 30% mais de volume interior. Além disso, o pack passou a usufruir de um melhor sistema de refrigeração, o que não só torna possível carregar mais depressa e com potências superiores – a 250 kW –, como permite lidar sem problemas com um uso intensivo, sem aquecer excessivamente as baterias, dando assim condições para a existência de um track mode, algo que nem o Model S nem o Model X oferecem.

Sabe-se agora que a Tesla se está a preparar para actualizar os motores que monta nos seus topos de gama, passando a recorrer à mesma tecnologia que estreou nos Model 3. Em vez dos motores eléctricos por indução que usa desde que o Model S surgiu em 2012, vai passar a montar motores eléctricos de magnetos permanentes, tipo de funcionamento adoptado desde o início pelo Model 3, que internamente são conhecidos como Raven (Corvo).

Em termos práticos, os motores de magnetos permanentes são mais pequenos e mais eficientes do que os que funcionam por indução (a Tesla publicou no seu site um documento que reflectia sobre a situação, mas em 2007, que obviamente evoluiu nos últimos 12 anos). Não têm apenas vantagens, mas hoje asseguram as necessárias para que a Tesla os tenha escolhido para o Model 3, onde era forçoso que o peso descesse e a autonomia subisse. Conferindo mais uma vantagem ao modelo mais barato da casa, face aos mais caros.

Para pôr cobro a esta situação, o construtor americano informou que está a trabalhar na actualização dos motores que monta nos Model S e X. A potência dos motores dos topo de gama continuará a ser superior, mas permitirá vantagens no que respeita ao peso e autonomia, o que agradará aos clientes. Tudo porque de acordo com especialistas do sector, os motores do Model 3 deverão garantir 97% de eficiência, contra 93% dos S e X, o que se pode traduzir por mais umas dezenas de quilómetros para a mesma capacidade de bateria.