O susto que se transformou num knock out tranquilo (a crónica do Feirense-Benfica)

O Benfica começou a perder logo aos dez minutos mas acabou por dar a volta ainda na primeira parte e goleou o Feirense. Seferovic bisou, Taarabt foi titular e a luta pelo Campeonato continua.

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O capitão do Benfica fez o golo que completou a cambalhota no resultado

EPA

O capitão do Benfica fez o golo que completou a cambalhota no resultado

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À entrada para o jogo deste domingo, o Feirense era bem mais do que o lanterna vermelha da Primeira Liga. A equipa de Filipe Martins estava no último lugar da tabela, com menos nove pontos do que o Desp. Chaves, que é penúltimo, e não vencia há 23 jogos consecutivos. Não vencia, portanto, desde agosto, com o Rio Ave. Altura em que, de forma agora surpreendente, estava no topo da classificação. No topo da classificação com os mesmos pontos que o Benfica.

Benfica que este domingo, tal como nas últimas jornadas, entrava em campo praticamente obrigado a ganhar, já que o FC Porto jogou na sexta-feira e venceu o Boavista de forma tranquila. Dias depois de perder em Alvalade para a Taça de Portugal, colocando um ponto final numa série de três vitórias consecutivas, a equipa de Bruno Lage visitava Santa Maria da Feira menos de uma semana antes de receber o Eintracht Frankfurt para a Liga Europa. O Campeonato, porém, é prioridade evidente dos encarnados — facto que foi sublinhado pelo treinador na antevisão, que explicou que ganhar a Taça não iria “salvar” a época do Benfica — e por isso mesmo não existiam grandes poupanças no onze inicial.

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Ficha de jogo

Feirense-Benfica, 1-4

28.ª jornada da Primeira Liga NOS

Estádio Marcolino Castro, em Santa Maria da Feira

Árbitro: João Pinheiro (AF Braga)

Feirense: Caio Secco, Edson Farias, Briseño, Bruno Nascimento, Vítor Bruno, Ali Ghazal, Babanco (Ofori, 79′), Sturgeon (Marco Soares, 71′), Tiago Silva, Luís Machado (Edinho, 80′), João Silva

Suplentes não utilizados: André Moreira, Tiago Gomes, Stivan Petkov, Jose Valencia, Marco Soares

Treinador: Filipe Martins

Benfica: Vlachodimos, André Almeida, Rúben Dias, Ferro, Grimaldo, Samaris, Florentino, Pizzi (Gedson, 87′), Taarabt (Franco Cervi, 80′), João Félix (Jonas, 79′), Seferovic

Suplentes não utilizados: Svilar, Corchia, Zivkovic, Krovinovic

Treinador: Bruno Lage

Golos: Sturgeon (10′), Pizzi (gp, 40′), André Almeida (45+2′), Seferovic (49′ e 89′)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Babanco (58′), Tiago Silva (64′)

Ferro e Samaris, poupados contra o Sporting, regressavam ao onze inicial e Jardel e Fejsa, titulares em Alvalade, saíam dos convocados. Vlachodimos voltava à baliza, Florentino rendia o lesionado Gabriel e a surpresa no onze era Taarabt, que entrava diretamente para o lugar de Rafa, expulso já depois do apito final do dérbi para a Taça. O Benfica entrou com mais posse de bola no encontro mas mostrava alguma dificuldade em entrar nos últimos 30 metros do meio-campo adversário, ao passo que o Feirense ia tentando aparecer nas costas de Florentino e entre a defesa e a linha intermédia encarnada. A equipa de Bruno Lage estava algo morna no jogo e ia sendo surpreendida pelas viragens de flanco do conjunto de Santa Maria da Feira, que mudavam o fluxo ofensivo de um corredor para o outro e, mesmo sem grande velocidade, tornavam difíceis as vidas de Grimaldo de um lado e André Almeida do outro,

Aos nove minutos, Vlachodimos cometeu um erro como quase nunca faz, não chegou à bola e João Silva cabeceou em balão para as malhas superiores. O aviso estava dado, João Félix permanecia algo perdido e isolado na frente de ataque — sempre muito móvel e à procura de linhas de passe mas com uma percentagem de perdas de bola muito acima da média — e o Feirense acabou por conseguir chegar à vantagem através de (mais) uma transição de corredor. A jogada começou na esquerda, voou para a direita e para Edson Farias, que soltou um cruzamento que atravessou toda a defesa encarnada e só parou no segundo poste, onde apareceu Sturgeon a cabecear. Sem ainda ter criado uma real ocasião de golo, o Benfica estava a perder em Santa Maria da Feira à passagem dos dez minutos e teria agora de realizar um jogo em formato remontada.

Os encarnados foram à procura do golo mas a mobilidade de João Félix não chegava para criar oportunidades, já que Taarabt, com pouca competitividade, tinha dificuldades em desequilibrar e Pizzi, do outro lado, não estava a explorar os terrenos mais interiores como habitualmente faz. Tudo se tornou mais complicado quando, depois de uma falta que Samaris teve de fazer para remendar um passe errado de Taarabt, o Feirense colocou a bola na baliza de Vlachodimos pela segunda vez. O calafrio que passou pela equipa da Luz, porém, só durou alguns segundos: o golo surgiu a partir de um livre na direita que entrou diretamente na baliza mas o auxiliar de João Pinheiro anulou o lance por fora de jogo de um avançado da equipa de Santa Maria da Feira. O árbitro confirmou a decisão com o VAR e o Benfica continuava a perder apenas por um. Este momento, enquanto episódio catártico e motivador, foi o minuto chave para tudo aquilo que aconteceria a seguir.

Os encarnados lançaram-se pelo ataque principalmente a partir das alas, já que o jogo interior não estava a sair, e estiveram perto do golo do empate tanto numa arrancada de Taarabt que culminou num remate fraco (32′) como numa tentativa de Pizzi para uma grande defesa de Caio Secco (36′). O empate acabou por surgir através de grande penalidade, depois de João Pinheiro ser alertado pelo VAR para um lance entre Ali Ghazal e Pizzi: foi o próprio internacional português que converteu o penálti e que deu o primeiro passo para a cambalhota do Benfica, que ficou confirmada já no segundo minuto de descontos, através de um remate de André Almeida após Samaris amortecer um pontapé de canto. Na ida para o intervalo, o Benfica já ganhava depois de ter entrado a perder e os últimos minutos do primeiro tempo pareciam mostrar um jogo diferente daquele a que os adeptos nas bancadas do Marcolino Castro assistiram nos instantes iniciais.

Na segunda parte, Bruno Lage deixava Jonas ainda no banco de suplentes — o avançado saltou para exercícios de aquecimento quando o Benfica ainda estava a perder — e os encarnados entravam em campo ainda a tentar perceber se o Feirense iria baixar as linhas e defender a baliza ou procurar o empate. A verdade é que a equipa de Filipe Martins acabou por não ter muito tempo para se mostrar ao Benfica, já que Seferovic, que até tinha passado um pouco ao lado do jogo na primeira parte, fez o terceiro golo dos encarnados através de um gesto técnico quase perfeito. O suíço aproveitou uma bola perdida à entrada da área do Feirense, percebeu que Caio Secco estava adiantado e soltou um chapéu de vários metros que só parou na baliza adversária. O Benfica esteve a perder até aos 40 minutos mas aos 49 já vencia por 1-3.

[Carregue nas imagens para ver alguns dos melhores momentos do Feirense-Benfica:]

A partir daí, Bruno Lage decidiu baixar um pouco as linhas e juntar mais o meio-campo à defesa, retirando João Félix e Taarabt e colocando Jonas e Cervi; Florentino recuou, Samaris jogou mais perto dos dois centrais (destaque para uma enorme exibição de Ferro) e também Pizzi desempenhou mais funções ofensivas. O Feirense ia tentando criar perigo da maneira que podia, tendo em conta que, de forma inequívoca, o nível das duas equipas está a anos luz de distância, e Tiago Silva ainda assustou com um livre direto que passou por cima (76′). O treinador encarnado blindou de forma permanente a equipa com a entrada de Gedson e a saída de Pizzi e o Feirense deixou, por completo, de conseguir entrar no último terço do adversário — e o Benfica, sublinhe-se, optou por praticamente deixar de construir e jogar apenas no contra-ataque.

Os encarnados acabaram por conseguir ainda chegar ao quarto golo, através de um grande cruzamento de Grimaldo que só terminou na cabeça de Seferovic (que bisou e já tem, sozinho, mais golos do que o Feirense) e confirmaram a goleada que não deixa fugir o FC Porto na liderança e praticamente condena a equipa de Filipe Martins à despromoção. André Almeida, quando marcou o golo que completou a cambalhota no resultado, correu para a bandeirola de canto e simulou que tratava de um saco de boxe. De propósito ou sem querer, a verdade é que a vitória do Benfica começou com um susto mas acabou com um convincente knock out.

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