Depois de o Manchester City vencer o Brighton na primeira meia-final com um golo solitário de Gabriel Jesus, era tempo de o Wolverhampton de Nuno Espírito Santo e restante armada portuguesa lutar pela segunda e última vaga na final da Taça de Inglaterra contra o Watford. Sem Rui Patrício na baliza, já que o treinador português aproveitou o encontro da Taça para fazer descansar o guarda-redes ex-Sporting, o Wolves atacava com Rúben Neves, João Moutinho e Diogo Jota no onze inicial.

As estatísticas estavam a favor da equipa mais portuguesa da Premier League: os Wolves venceram os últimos seis jogos em Wembley e só o Tottenham e o Arsenal têm um período vitorioso tão longo no estádio nacional inglês. No Campeonato, Wolverhampton e Watford estão separados por apenas um ponto, com vantagem para os foxes, mas na meia-final da Taça de Inglaterra encontravam-se de igual para igual. Se a equipa de Nuno Espírito Santo subiu ao principal escalão inglês esta temporada e não conquista um título relevante desde 1980, ano em que venceu a Taça da Liga (exceção feita aos recentes primeiros lugares na Segunda e na Terceira Liga), o conjunto orientado por Javi Gracia nunca ganhou uma das principais competições e só registou vitórias na Segunda, Terceira e Quarta Liga de Inglaterra.

O Wolves colocou-se em vantagem ainda na primeira parte, aos 36 minutos, com um grande cruzamento de Diogo Jota a partir da direita a encontrar a cabeça de Matt Doherty ao segundo poste. O Watford procurou o empate, principalmente por intermédio do capitão Troy Deeney, mas o Wolves conseguiu permanecer quase sempre por cima do jogo e levar a vantagem para o intervalo.

Na segunda parte, Raúl Jiménez — que esta semana rendeu 41 milhões de euros ao Benfica, já que o Wolves decidiu acionar a opção de compra do avançado mexicano — aumentou a vantagem ao passar do minuto 60, com uma grande finalização de pontapé de moinho após dominar um cruzamento de Doherty com o peito. Na celebração, Jiménez colocou uma máscara com o emblema do Wolverhampton e os adeptos do clube de Nuno Espírito Santo já começavam a comemorar a presença na final da Taça de Inglaterra nas bancadas de Wembley.

Comemorações que foram interrompidas até ao minuto 90. Deulofeu reduziu a desvantagem do Watford aos 79 minutos e o capitão Troy Deeney levou tudo para prolongamento ao converter uma grande penalidade — que ele próprio sofreu — no quarto minuto de descontos. O Wolves esteve a ganhar por dois até perto dos 80 minutos mas deixou a vantagem fugir. Já na primeira parte do prolongamento, Deulofeu bisou e o Watford segurou o resultado até ao fim dos 120 minutos, carimbando o passaporte para a final da Taça de Inglaterra.

O Wolverhampton — que, é sempre preciso recordar, subiu à Premier League esta temporada — esteve a ganhar por dois mas falhou a ida à final da Taça de Inglaterra. Dia 18 de maio, em Wembley, a Taça ficará decidida entre o Watford e o Manchester City de Bernardo Silva.