Entre 100 e mil milhões de pássaros devem morrer todos os anos nos EUA devido ao embate nos arranha-céus, estimam os cientistas. Num novo relatório, citado pelo The Guardian, conclui-se que as cidades mais perigosas para os pássaros são Chicago e Nova Iorque (Manhattan) devido sobretudo às estruturas de vidro dos arranha-céus que refletem imagens de árvores ou de outros sítios considerados seguros pelas aves quando, na verdade, não são.

Chicago tem ainda uma agravante: os céus da cidade são muito frequentados por pássaros durante a fase migratória, estimando-se que mais de cinco milhões de aves de pelo menos 250 espécies diferentes voem por aquele corredor: duas vezes por ano, milhares de pássaros voam para norte vindos da América Central e América do Sul, regressando para sul no outono.

O mesmo acontece com a famosa panorâmica de Nova Iorque, uma armadilha particularmente complicada na fase migratória. “No processo, eles acabam por aterrar num qualquer passeio que não lhes é familiar, e quando vem a luz do dia e quiserem procurar comida, tentam voar para uma árvore. O problema é quando veem a imagem de uma árvore refletida nos vidros dos prédios vão contra eles“, explica Susan Elbin, diretora de conservação e ciência da Audubon, em Nova Iorque, uma organização líder em defesa de aves.

Houston e Dallas são outras das cidades mais perigosas para o trajeto dos pássaros, segundo um estudo publicado no The Cornell Lab of Ornithology. Em causa está está não só o facto de as estruturas serem de vidro, mas também por terem luzes brilhantes que confundem os pássaros durante a migração (geralmente feita à noite). Nova Iorque, Los Angeles, St. Louis e Atlanta seguem-se nesta lista.

Não é fácil ter dados e estimativas correctos, mas o centro migratório de Smithsonian estima, a uma escala nacional, que morram entre 100 milhões e mim milhões de pássaros nestas condições, por ano.