O festival Dias da Música, que acontece nos dias 25 a 28 de abril, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, contará com mais de 40 concertos e ‘masterclasses’ direcionados para a obra de William Shakespeare.

A estreia de “Rei Lear”, numa adaptação para cena do compositor Alexandre Delgado e da encenadora Sara Barros Leitão, a partir da tradução de Álvaro Cunhal, constitui uma encomenda do festival e destaca-se na programação já disponível no site do Centro Cultural de Belém (CCB).

As cantoras Ana Quintans, Elisabete Matos e Maria João, os tenores Ian Bostridge, com o pianista Julius Drake, e Marco Beasley, com Stefano Rocco e Fabio Accurso, os pianistas Artur Pizarro, António Rosado e Filipe Pinto-Ribeiro, com o DSCH – Schostakovich Ensemble, os Tallis Scholars e Peter Philips, Nuno Côrte-Real e o Ensemble Darcos, Os Músicos do Tejo e Marcos Magalhães, as formações Sete Lágrimas, La Paix du Parnasse e Divino Sospiro, a Orquestra XXI, a Orquestra de Câmara Portuguesa, a Sinfónica Metropolitana e a Sinfónica Portuguesa, assim como a Orquestra do Festival destacam-se entre os intérpretes.

A programação arranca no dia 25 de abril com o Festival Jovem e a atuação de Os Violinhos, jovens músicos entre os seis e os 16 anos, que apresentam “um programa variado e divertido para ouvintes de todas as idades”, adiantou a organização.

No mesmo dia, a Escola Artística de Música do Conservatório Nacional apresenta “Vénus e Adónis”, de John Blow, e a Orquestra do Festival – constituída por alunos de três orquestras sinfónicas juvenis: a OJ.COM, a Orquestra Sinfónica Ensemble e a Orquestra Sinfónica APROARTE – encerra o dia com “Sonho de uma Noite de Verão”, op. 61, de Felix Mendelssohn.

No segundo dia, o Grande Auditório será o palco para o Concerto Inaugural – “Uma Invocação de Shakespeare” – pela Orquestra Sinfónica Metropolitana, com o Coro Ricercare e o Coro do DeCA, da Universidade de Aveiro.

Os dois últimos dias – 27 e 28 de abril – concentram o maior número de concertos (28), dos cerca de 40 anunciados. O dia 27 de abril conta com atuações da Orquestra de Câmara Portuguesa (“Shakespeare no Romantismo”), da Orquestra XXI e do Coro de Lisboa Cantat (“Romeu e Julieta”) e de Francesco Tristano (“Tristano Midsummer Night’s Dream”, para piano e eletrónica), no Grande Auditório.

O Pequeno Auditório recebe, no mesmo dia, a estreia mundial de “Rei Lear- A Partir da Tragédia de William Shakespeare”, uma encomenda do festival com música de Alexandre Delgado e encenação de Sara Barros Leitão, que conta com interpretações de Carlos Guilherme, Paulo Calatré, Diana Sá, Teresa Arcanjo, Rodrigo Santos e da própria Sara Barros Leitão, com o Toy Ensemble, quinteto de violoncelo, oboé, clarinete, trompa e piano, composto por Jed Barahal, Pedro Teixeira, Tiago Bento, Dário Ribeiro e Christina Margotto.

Esta versão, segundo a encenadora, vai além dos motivos bélicos e da lógica patriarcal para se fixar nas relações de pais e filhos, de velhos e novos, na “solidão e a ambição sem coração”. “Interessa-nos a lealdade ou o amor incondicional de um homem por outro”, lê-se na apresentação da obra, assinada pela encenadora.

Neste dia, o Pequeno Auditório também recebe a versão de “A Tempestade”, de Henry Purcell, pela orquestra Divino Sospiro, e as canções de John Dowland, na leitura do compositor e regente Nuno Côrte-Real, no programa “Time Stands Still”, pelo Ensemble Darcos.

The Tallis Scholars vão à sala Luís de Freitas Branco apresentar dois programas – “Música do Tempo de Shakespeare” e “Faire is The Heaven” -, sempre inspirados no ‘Bardo’, à semelhança de Marco Beasley, que interpretará Dowland, Saracini, Caccini e Turlough O’Carolan, entre outros compositores.

Na sala Almada Negreiros, Maria João e o projeto OGRE cantam Shakespeare, com música original de João Farinha, antes de Filipe-Pinto Ribeiro, com o DSCH – Schostakovich Ensemble interpretar obras de Korngold, sobre o poeta inglês.

No último dia, o Grande Auditório contará com “The Fairy Queen”, de Purcell, uma ‘semiópera’ derivada da peça de Shakespeare “Sonho de uma Noite de Verão”, com a soprano Ana Quintans e o ensemble La Paix du Parnasse, com direção musical de António Carrilho. Ainda no Grande Auditório, a Orquestra Sinfónica Metropolitana interpretará “Os Macbeth”, nas visões de Verdi e Richard Strauss.

No Pequeno Auditório atuam Os Músicos do Tejo, com “To play or not to play” – canções de Gibbons, Lawes, Byrd, Dowland, Purcell, Niles, Johnson, Locke e tradicionais, sobre textos de William Shakespeare – e a dupla Ian Bostridge (tenor) e Julius Drake (piano), com “Shakespeare Songs”, de Purcell a Tippett, Finzi e Korngold.

Dowland e Hume protagonizam o programa dos Sete Lágrimas e do Coro Ricercare, em “The World’s mine oyster”, enquanto Artur Pizarro e António Rosado apresentam o programa “Shakespeare no século XIX”, com Liszt, Tchaikovsky e Berlioz, e a comédia “Muito barulho por nada” inspira a proposta do Doppio Ensemble, com Korngold e Prokofiev.

O concerto de encerramento, no Grande Auditório, pela Orquestra Sinfónica Portuguesa e o Coro do Teatro Nacional de São Carlos, sob o lema “O Doce Poder da Música”, procura celebrar “todo um festival onde se tenta explorar ao máximo as muitas relações entre o génio de Shakespeare e a Música”, explicou a organização. O programa inclui obras de Wagner, Gounod, Bellini, Prokofiev e Ambroise Thomas.

Os Dias da Música integram ainda ‘masterclasses’, por artistas portugueses e estrangeiros que atuam no festival, como António Carrilho, Marcel Beekman, Paulo Ferreira, Francesco Tristano, Artur Pizarro, Marco Beasley, Maria João, Sofia Diniz e Elisabete Matos.

Para os mais novos, “Fábrica das Artes- Para todas as infâncias” estará ativa nos dias 27 e 28 de abril, com os espetáculos “E comparar-te a um dia de verão- música no tempo de Shakespeare” e “O colinho da rainha”, um concerto para bebés.