Até dia 16 de maio estão abertas as candidaturas para o primeiro concurso do Programa Integrado de Investigação e Desenvolvimento sobre a obra do Arquiteto Álvaro Siza Vieira, cujo protocolo foi assinado esta segunda feira pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, o Ministério da Cultura e a Fundação Serralves.

“Sinto-me particularmente interessado e satisfeito por ter sido lançado um programa de arquitetura e interdisciplinaridade que irá ter continuidade”, revelou aos jornalistas Siza Vieira no final do evento. O arquiteto portuense, com 70 anos de carreira, considera “oportuna” a iniciativa, acrescentando que “quem concorrer a isto e ganhar não terá que analisar os 70 anos, pode ficar-se por sete ou por um”.

O Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior irá financiar os projetos, através de fundos nacionais, com um orçamento de 600 mil euros no primeiro concurso e no segundo, previsto para 2020, o investimento será “mais ambicioso”, fazendo um total de dois milhões de euros. Para cada projeto há o limite máximo de financiamento de 120 mil euros e a Fundação para a Ciência e Tecnologia irá admitir projetos de investigação científica e desenvolvimento tecnológico, cujas candidaturas podem ser individuais ou copromoção.

Segundo Manuel Heitor, Ministro da Ciência e Tecnologia e do Ensino Superior, trata-se de uma iniciativa “particularmente inovadora em Portugal e no contexto europeu”, uma vez que estimula “a atividade de investigação na área de arquitetura”. “Abrir a área cientifica a outras áreas de conhecimento” é uma das missões deste programa que pretende ser “mobilizador”, “aprofundar e alargar” o conhecimento sobre a obra “inédita no mundo” de Álvaro Siza Vieira. O objetivo é “desafiar a comunidade cientifica” a “complementar a documentação” que já existe sobre o arquiteto, conhecendo-o melhor através de outras artes como o desenho, a escultura ou o cinema. O intuito é também “abrir um debate multidisciplinar”, num diálogo entre a narrativa artísticas e científica, contribuindo para “criar um corpo sólido de conhecimento sobre uma obra”.

Dois anos foi o período necessário para o programa ganhar forma, onde se pretende que a “atividade de investigação seja útil para a profissão de arquitetura”. “Esta é uma experiência inovadora na politica científica de Portugal, esperemos que venhamos a replicar noutros arquitetos”, sublinha Manuel Heitor. O sucesso, para o ministro, depende agora “da qualidade das candidaturas”

No ano em a Fundação de Serralves comemora 30 anos, Ana Pinho, presidente do Conselho de Administração da Fundação de Serralves, sublinha a relação “única, especial e extensa” de Siza Vieira com a instituição, recordando que em 2015 confiou parte do seu arquivo à fundação sendo hoje visitado por todos os que queiram estudar a sua obra. Além de autor do Museu, que em 2019 comemora duas décadas, o arquiteto portuense restaurou a casa de Serralves em 2002 e, segundo a presidente, está neste momento a “acompanhar os trabalhos da Casa Museu Manoel de Oliveira”, com inauguração prevista para este mês. Consta também no calendário da programação de Serralves, a partir de 18 de setembro, a exposição “(In)Disciplina”, uma homenagem ao arquiteto através de uma mostra original e critica sobre o seu percurso criativo.

Ana Pinho afirmou ainda que este programa de investigação se distingue de outros por juntar a arquitetura a outras áreas como o “urbanismo, as ciências sociais ou a engenharia”.