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Roupa

Portugueses deitam fora 200 mil toneladas de roupa por ano

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Em Portugal, vão para o lixo cerca de 200 mil toneladas de têxteis por ano. Greenpeace diz que cada pessoa compra mais 60% do que comprava há 10 anos. "Estamos a vestir-nos de plástico".

JOSÉ COELHO/LUSA

Estamos cada vez a consumir mais roupa e cada vez a deitar mais roupa para o lixo. Segundo dados da Agência Portuguesa do Ambiente, em 2017 foram recolhidas cerca de 200.756 toneladas de têxteis nos resíduos urbanos, o que representa cerca de 4% do total de resíduos produzidos em Portugal, avança o Diário de Notícias.

Entre 2011 e 2017, em Portugal, foram deitados ao lixo 1,2 milhões de toneladas de têxteis, sendo esta uma tendência generalizada: no Reino Unido, só em 2016, foram deitadas fora 350 mil toneladas de roupa, e nos EUA mais de 15 milhões de toneladas, sendo que apenas 2,6 milhões são reciclados. Segundo a Greenpeace, na origem do problema está também o facto de cada pessoa comprar hoje, em média, mais 60% das peças de roupa que comprava em 2000, mantendo a roupa metade do tempo do que mantinha antes.

O cenário é preocupante porque, explica o Diário de Notícias, a indústria têxtil é uma das mais poluentes do mundo, logo a seguir à indústria petrolífera: para produzir uma t-shirt de algodão são precisos 2700 litros de água, e para produzir umas calças de ganga são precisos 10 mil litros. “A maior parte da roupa é sintética, provém do petróleo. Estamos a vestir-nos de plástico. Cada vez mais deixamos de comprar roupa de algodão”, diz Carmen Lima, coordenadora do Centro de Informação de Resíduos da Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza.

Outro problema ambiental são as tintas, que podem contaminar os rios. “Muitas peças de roupa têm compostos orgânicos voláteis associados e nem sequer cumprem certificações”, acrescenta Carmen Lima. O problema seguinte é a reciclagem que não está a ser feita na hora de deitar a roupa para o lixo. A Associação Portuguesa do Ambiente (APA) explica ao DN que, em Portugal, “não existindo recolha seletiva de resíduos [têxteis], a sua recolha é feita em conjunto com a fração indiferenciada, pelo que o destino será aterro, valorização energética ou, nalgumas situações, produção de combustível derivado de resíduos”.

Segundo a APA, a recolha seletiva de resíduos têxteis vai ser obrigatória a partir de 1 de janeiro de 2025, estando prevista a implementação de sistemas de recolha seletiva de resíduos têxteis pelos sistemas de gestão de resíduos urbanos, ou pelos municípios que os integram. A partir dessa altura, os têxteis encaminhados como resíduos serão, sempre que possível, preparados para reutilização e reciclagem — nos contentores localizados na via pública.

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