Abusos na Igreja

Bispo de Setúbal confirma suspeitas de abuso sexual em creche da Igreja

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Em comunicado enviado após a notícia do Observador, o bispo D. José Ornelas diz estar disponível para colaborar com as autoridades judiciais e confirma que há "rumores" contra um padre.

O bispo D. José Ornelas mandou ao Ministério Público informações sobre "rumores" que corriam na paróquia contra um padre

D.R.

A diocese de Setúbal emitiu esta segunda-feira um comunicado em que confirma a denúncia de uma suspeita de abuso sexual ocorrida na creche de um centro paroquial no concelho de Almada e “reafirma a sua orientação de total intransigência perante qualquer situação de abuso de menores”. O comunicado surgiu depois da publicação da notícia do Observador que dava conta de que o Ministério Público tinha aberto um inquérito ao caso e que a mãe da vítima apontava o dedo ao padre responsável pelo centro paroquial.

A diocese de Setúbal, liderada pelo bispo D. José Ornelas, refere no comunicado que “adotou todas as medidas necessárias para a proteção das crianças e utentes, colaborando com as autoridades judiciais e outras competentes na investigação em curso, disponibilizando todos os elementos solicitados”.

Tal como o Observador noticiou, foi instalado um sistema de videovigilância nas instalações depois de a mãe da alegada vítima se ter deslocado à creche, levantando a suspeita de que o seu filho de 5 anos teria sido vítima de abusos na casa de banho da instituição. Foram também adotadas regras, como o registo de entrada e saída de adultos e a proibição de as crianças se deslocarem sozinhas aos sanitários.

Depois desta reunião com os responsáveis da Igreja, a mãe da criança decidiu mudar o filho de escola. Só mais tarde, em conversas com ele, percebeu que ele apontava o padre como suspeito. Esta informação, porém, só chegou ao Ministério Público em meados de março — dois meses após a queixa da mãe — pela informação enviada pelo próprio bispo a dar conta de que corria esse “rumor” na paróquia. Até agora, pais e vítima ainda não foram chamados a prestar qualquer informação às autoridades, pelo que ainda não o disseram a ninguém. Também ainda ninguém da polícia foi sequer ao centro paroquial onde poderá ter ocorrido o crime.

No comunicado, a diocese de Setúbal esclarece que “tendo tido conhecimento dos rumores da eventual implicação de um Padre neste caso, solicitou ao Ministério Público de Almada a averiguação do caso e disponibilizou a sua total colaboração”. Até esse dia, meados de março — dois meses após a queixa crime apresentada pela mãe —, porém, a Igreja não tinha feito qualquer contacto com as autoridades policiais. Ao que o Observador apurou, respondeu apenas a um pedido da Comissão de Proteção de Menores, concluindo assim que já deveria haver um inquérito aberto ao caso.

Desde que tomou conhecimento desta situação, a Diocese de Setúbal manifestou completa disponibilidade para receber a mãe da criança, embora esta nunca tenha comunicado a alegada situação à Diocese”, lê-se ainda no comunicado.

Ao Observador, a mãe da criança explicara que falhou o encontro com o vigário geral da diocese de Setúbal, a quem chegou a telefonar, por se encontrar doente. Não voltou a contactá-lo. Nem a Igreja a ela.

O bispo de Setúbal refere também no comunicado que “reafirma a sua orientação de total intransigência perante qualquer situação de abuso de menores, estando disponível para apurar a verdade, em colaboração com as autoridades competentes, respeitando as pessoas envolvidas, e aguardando o desenvolvimento da averiguação em curso”. E não fornece mais informações por o caso se encontrar em segredo de justiça.

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