As eleições desta terça-feira em Israel arrancaram com um pequeno sobressalto: o Comité Central de Eleições anunciou que vai apresentar uma queixa contra o partido do primeiro-ministro, o Likud, pelo seu plano de levar mais de 1200 câmaras ocultas para as assembleias de voto em zonas onde a população árabe está em maioria.

A notícia foi inicialmente avançada pela manhã pelo site informativo Ynet, sendo rapidamente confirmada por outros jornais como o Haaretz. A polícia confirmou entretanto ter apreendido dezenas de câmaras ocultas que observadores do Likud trazia consigo, mas que foram apanhadas antes de os observadores entrarem nas assembleias de voto. O Likud já confirmou entretanto o plano para colocar câmaras nas assembleias de voto, sublinhando que tinha como objetivo combater a fraude eleitoral.

O presidente do Comité Central de Eleições, o juiz Hanan Melcer, anunciou entretanto que vai ser apresentada uma queixa oficial contra o partido de Benjamin Netanyahu. “É proibido aos membros das assembleias de voto e outro pessoal filmar os eleitores ou o processo eleitoral”, relembrou o Comité. “A polícia deve ser notificada em casos de filmagens ilegais.”

Em Rahat, uma zona beduína do deserto do Negev de maioria árabe, um homem foi detido enquanto tentava instalar uma das câmaras ocultas na assembleia de voto.

Ao Haaretz, uma fonte junto da extrema-direita israelita — aliada do Likud nestas eleições — confirmou o plano que envolveria mais de mil câmaras. “O objetivo era o de preservar a pureza da eleição e garantir que a Ra’am-Balad não atinge o patamar mínimo de entrada no Parlamento através de falsificações”, declarou a mesma fonte, referindo-se à coligação que junta dois partidos árabes.

O primeiro-ministro e líder do Likud, Benjamin Netanyahu, já reagiu a estas notícias, dizendo que as afirmações do Comité Eleitoral são “proibidas”, segundo o Times of Israel.

Devia haver câmaras em todo o lado e não devem ser ocultas”, disse Netanyahu, explicando que essa é a única forma de garantir que há “uma eleição limpa”.

O partido de maioria árabe Hadash-Ta’al, por seu turno, reagiu em sentido contrário: “A extrema-direita percebe a nossa força e capacidade de derrubar o Governo e está a ultrapassar todas as linhas vermelhas, usando meios ilegais para interferir e proibir os cidadãos árabes de votar”, afirmou o partido em comunicado.

“Estamos a um centímetro da vitória” e “não está no papo”. Principais candidatos já votaram e apelaram ao voto

Mais de 6,3 milhões de eleitores irão eleger esta terça-feira os deputados que ocuparão os 120 lugares no Knesset (Parlamento israelita). Os dois homens que seguem na frente são o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, pelo Likud, e o general Benny Gantz pela coligação “Azul e Branco”. Os dois estão dependentes dos resultados das forças políticas mais pequenas para formar um Governo com maioria estável no Parlamento.

Ambos votaram na manhã desta terça-feira, apelando ao voto. Netanyahu sublinhou que o ato de votar é “sagrado” e deixou um pedido aos eleitores: “Escolham bem, é tudo o que posso dizer.” Antes disso, o atual primeiro-ministro (que pode ser eleito pela quinta vez) já tinha pedido aos seus eleitores para não serem “complacentes”: “Não está no papo, só estará no papo se vocês saírem e forem votar no Likud”, declarou num vídeo em direto no Facebook.

Benny Gantz e Yair Lapid, membros destacados da coligação “Azul e Branco” — que está empatada com a coligação de direita de Netanyahu nas últimas sondagens — também já votaram. “Vamos fazer isto acontecer”, pediu o general Gantz na sua assembleia de voto, em Rosh Hayin. Lapid foi ainda mais longe: “Estamos quase lá. Só precisamos de mais dois lugares para ganhar e este ser um dia histórico. Benny Gantz disse esta semana que estávamos a um metro da vitória; agora estamos a um centímetro.”