A Rimac está para os superdesportivos como a Tesla está mais os automóveis comuns, tendo superado todas as expectativas ao propor superdesportivos eléctricos que ultrapassam os rivais a gasolina, oferecendo mais de 1.900 cv, 415 km/h e 0-100 km/h em menos de 2 segundos. Contudo, o pequeno construtor croata liderado por Mate Rimac, que tem revelado um surpreendente poço tecnológico, no que respeita à mobilidade eléctrica, é mesmo pequeno, com apenas 480 funcionários e com uma produção esperada de somente 150 unidades do C_Two. E mesmo a 2,1 milhões de dólares, este que é o desportivo mais rápido do mundo, é uma verdadeira pechincha.

A Porsche adquiriu uma fatia de 10% da Rimac para estar mais próxima do que poderá ser um fornecedor determinante. E apesar de a Rimac ter uma porta aberta como empresa– é também ela que produz o sistema KERS para o Aston Martin Valkyrie, similar aos dos F1 –, a Porsche já começou a usufruir da sua proximidade com a companhia croata. Para já, e que se saiba, herdou a teccologia que a Rimac também usa nos seus desportivos Concept One e C-Two, que passa por montar na traseira um motor eléctrico com caixa de velocidades. Ainda que com apenas duas relações.

A caixa de velocidades é algo estranho para um veículo eléctrico, especialmente se for um Renault Zoe, um Nissan Leaf ou mesmo um Tesla Model 3. Contudo, à medida que a velocidade aumenta, por exemplo para os 400 km/h – fasquia que os Rimac ultrapassam e que o próximo Tesla Roadster também -, começa a ser complicado ter apenas uma desmultiplicação. Ou seja, uma velocidade para ir de 0 a 400 (ou mais) km/h, pois apesar de o motor eléctrico atingir um mínimo de 20.000 rpm, 400 km/h é uma velocidade muito elevada.

Daí que a Rimac utilize este trunfo no seu C_Two, para ter mais “força” quando é preciso e menos consumo quando é possível, da mesma forma que a Tesla já o tentou fazer com o primeiro dos Roadster em 2010, sem que os americanos da Borg Warner conseguissem resolver tecnicamente o desafio. Isto apesar de tudo indicar que o próximo Roadster, a surgir em 2020 e que também vai superar os 400 km/h e os 100 km/h em cerca de 1,9 segundos, irá recorrer igualmente a uma caixa de velocidades.

A novidade agora é que a Porsche admitiu que o seu Taycan vai montar um motor eléctrico traseiro acoplado a uma caixa de duas velocidades, opção não tão interessante dado que o modelo vai estar limitado a 250 km/h, mas que ainda assim será capaz de reduzir ligeiramente o consumo (ou incrementar a autonomia numas dezenas de quilómetros). E, por outro lado, tornar o primeiro Porsche eléctrico um pouco mais rápido a acelerar de 0-100 km/h, onde a marca já anunciou pretender baixar dos 3,5 segundos. As reprises são outra área em que a caixa do Taycan pode fazer a diferença, pois apesar de o torque de um motor eléctrico ser praticamente constante, a realidade é que há sempre uma gama de rotações onde é ligeiramente mais eficiente. Resta agora esperar para conhecer todos os pormenores do Taycan a bateria, que certamente melhorará o seu potencial para atrair clientes com esta caixa de  duas velocidades, aparentemente “made by Rimac”.