A primeira-ministra britânica, Theresa May, foi recebida esta terça-feira em Berlim pela chanceler alemã, Angela Merkel, na procura de apoio de líderes europeus para uma extensão do Brexit, e saiu sem fazer comentários.

Theresa May desloca-se ainda no mesmo dia a Paris, onde se encontrará com o presidente francês, Emmanuel Macron, em mais uma reunião que servirá para tentar acertar agulhas políticas antes da cimeira especial de quarta-feira do Conselho Europeu, dedicada ao Brexit. A França faz parte de um grupo de seis países da União Europeia que, segundo uma fonte não identificada citada pela agência Associated Press, vão procurar aproximações para uma posição comum, antes da cimeira do Conselho Europeu.

De acordo com essa fonte, França, Holanda, Irlanda, Bélgica, Suécia e Dinamarca vão discutir as opções em cima da mesa, algumas horas antes do jantar da cimeira, na quarta-feira, procurando soluções para evitar uma saída sem acordo.

Antes do encontro de Merkel com Theresa May, o porta-voz do Governo alemão, Steffen Seibert, deu um tom positivo à conversa entre as duas líderes, dizendo que havia “boas razões para ambas falarem”, embora reconhecendo a difícil situação à volta da saída do Reino Unido da União Europeia. No final do encontro, e perante a ausência de comentários das chefes de governo, Seibert voltou a falar aos jornalistas apenas para acrescentar uma declaração sobre a necessidade de haver unidade entre os 27 países da União que procuram uma solução com o Reino Unido, para o Brexit.

Mais tarde, um porta-voz de Downing Street reagiu também ao encontro, explicando que “as líderes discutiram o pedido de extensão do Artigo 50 do Reino Unido até 30 de junho, com a opção de adiantar a data caso um acordo seja ratificado antes”.

A primeira-ministra definiu os passos que o Governo está a dar para concluir de forma positiva o processo do Brexit e pôs a chanceler Merkel a par das conversações com a oposição”, acrescentou o porta-voz, sobre as negociações de May com Jeremy Corbyn.

Theresa May já transmitiu a Bruxelas o pedido de adiar o Brexit até 30 de junho, alargando o atual prazo que termina em 12 de abril, após sucessivas rejeições de acordos de saída no Parlamento britânico.

O vice-ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Michael Roth, afirmou que o seu país estaria disponível para aceitar um novo adiamento, sob certas condições, tais como o Reino Unido participar nas eleições para o Parlamento Europeu, em maio.

Contudo, Manfred Weber, candidato pelos partidos da União (que integra a CSU e a CDU, de Angela Merkel), mostrou-se bem mais reservado relativamente à aceitação deste novo adiamento pedido por Theresa May. “Um adiamento longo não é a solução. Um país que não quer deixar a União Europeia não pode participar nas eleições europeias”, disse Weber, em declarações publicadas esta terça-feira num jornal diário alemão.