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Saúde

OMS. 33 razões para elas viverem mais tempo do que eles

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O relatório da Organização Mundial de Saúde separou, pela primeira vez, homens de mulheres na análise das causas de mortalidade e de outros parâmetros e percebeu porque é que elas vivem mais tempo.

As mulheres procuram mais os cuidados de saúde do que os homens

David McNew/Getty Images

Não interessa se vivem em países ricos ou pobres, elas tendem a viver mais tempo do que eles. A conclusão é do relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS) — World Health Statistics Overview 2019 — que pela primeira vez separou as estatísticas de mulheres e homens e conseguiu perceber que causas de morte afetam mais uns do que outros.

Em Portugal, a esperança média de vida para as mulheres era de 84,5 anos e para os homens de 78,3 anos, em 2016.

Lista das doenças que afeta mais os homens:

Doença cardíaca isquémica; acidente de trânsito; cancro do pulmão, traqueia ou brônquios; doença pulmonar obstrutiva crónica (COPD); acidente vascular cerebral; cirrose hepática; tuberculose; cancro do próstata; violência interpessoal; cancro do fígado; cancro do estômago; infeções respiratórias; suicídio cancro do esófago; VIH/Sida; doenças renais; cancro da boca e orofaringe; afogamento; quedas; cancro colorretal; complicações devido a nascimento prematuro; asfixia e trauma do nascimento; cardiomiopatia ou endocardite; leucemia; linfomas e mieloma; cancro do pâncreas; diabetes; asma; meningite; sépsis e infeções neonatais; desnutrição; doenças diarreicas e cardiopatia hipertensiva.

Das 40 causas de morte analisadas, 33 delas justificam porque é que os homens têm, em regra, uma esperança média de vida mais baixa do que as mulheres. Acidentes de viação, confrontos interpessoais ou suicídio, enquanto causas de morte não provocadas por doença são mais frequentes nos homens do que nas mulheres. Da mesma forma, as causas de morte resultantes da atividade profissional, como quedas, doenças respiratórias e alguns tipos de cancro matam mais homens que mulheres.

As mulheres têm, normalmente, mais cuidados de saúde e também por isso sobrevivem mais tempo. Nos países com um grande número de infetados com VIH (vírus da imunodeficiência humana), por exemplo, é mais provável as mulheres fazerem os testes para detetar a infeção e cumprirem os tratamentos antirretrovirais. O resultado é que morrem menos de sida do que os homens. E o mesmo vale para outras doenças, como a tuberculose.

Entre as sete doenças ou complicações que matam mais mulheres do que homens contam-se, por exemplo, o cancro da mama, a doença de Alzheimer ou a malária, mas também dois tipos de problemas que só afetam as mulheres, como cancro do colo do útero e complicações relacionados com o parto. As outras duas complicações são doença reumática do coração e anomalias congénitas.

Nos países de baixo rendimento, a esperança média de vida é 18,1 anos inferior às dos países de maior rendimento.

Além das diferenças entre os sexos, também existem diferenças entre os países mais ricos e mais pobres que são condicionadas, entre outras coisas, pelo acesso diferenciado aos cuidados de saúde. Nos locais onde os cuidados de saúde maternos são mais escassos, uma em cada 41 mulheres morre devido à gravidez, parto ou maternidade, contra uma em cada 3.300 mulheres nos países desenvolvidos. A morte das mães tem um grande impacto na sobrevivência da família e na própria resiliência da comunidade.

O relatório foi divulgado no âmbito do Dia Mundial da Saúde que se celebrou no passado domingo. Este ano, a celebração é dedicada aos cuidados de saúde primários como base para uma cobertura universal dos cuidados de saúde. “Dividir os dados por idade, sexo e grupos de rendimentos é vital para compreender quem é que está a ficar para trás e porquê”, disse, em comunicado de imprensa, Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS.

“Atrás de cada número nas Estatísticas Mundiais de Saúde [World Health Statistics] está uma pessoa, uma família, uma comunidade ou uma nação. A nossa missão é usar estes dados para tomar decisões baseadas na evidência que nos aproximem de um mundo mais saudável, mais seguro e mais justo para todos”, acrescentou.

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