Cinema

Três filmes para ver esta semana

O terceiro filme da série "Hellboy", a nova realização do húngaro László Nemes, "Anoitecer", e o policial "Greta-Viúva Solitária", de Neil Jordan, são as escolhas de Eurico de Barros esta semana.

David Harbour substitui Ron Perlman no papel de Hellboy neste terceiro filme da série, que tem também um realizador novo

Autor
  • Eurico de Barros

“Hellboy”

Com Guillermo del Toro, autor dos dois primeiros filmes da personagem dos “comics” criada por Mike Mignola, fora da série “Hellboy” por não lhe permitirem escrever o argumento e realizar este terceiro, como tinha sucedido naqueles, e Ron Perlman também saído do projeto, por solidariedade com del Toro, os produtores decidiram fazer deste novo título um “reboot” em vez da continuação de “Hellboy II: O Exército Dourado”. O inglês Neil Marshall, que tem no seu currículo bons filmes de terror como “Lobos Assassinos” e “A Descida”, surge agora na realização, com David Harbour (“Stranger Things”) a substituir Perlman no papel de Hellboy. Ele enfrenta aqui Nimue, a Rainha do Sangue, uma ancestral e poderosa feiticeira do tempo dos druidas, interpretada por Milla Jovovich, bem como outras criaturas maléficas e destruidoras.

“Anoitecer”

Após ter sido premiado em Cannes e ganho o Óscar do Melhor Filme Estrangeiro com “O Filho de Saul”, a sua primeira realização, o húngaro László Nemes recua da II Guerra Mundial para as vésperas da Grande Guerra em “Anoitecer”, passado em 1913 em Budapeste. É a história de uma rapariga que vai empregar-se na prestigiada loja de chapéus dos pais, mortos num incêndio na mesma quando ela era pequena, e que foi comprada e reconstruída por um empresário. Filmado como que num transe contínuo, e tal como em “O Filho de Saul”, com a câmara sempre grudada à personagem principal, elíptico ao ponto de se tornar incompreensível, por vezes desconexo, e muito longo, “Anoitecer” parece querer ser uma alegoria sobre o estado do Império Austro-Húngaro, e da Europa, à beira do conflito que acabaria com aquele e devastaria esta. Mas a fita é tão opaca e confusa como inconclusiva e exasperante.

“Greta — Viúva Solitária”

Neil Jordan assina aqui um “thriller” de série B só com mulheres, passado em Nova Iorque e com Isabelle Huppert e Chloë Grace Moretz nos principais papéis. Frances (Moretz) é uma rapariga boazinha, cumpridora e certinha, que um dia encontra uma mala de senhora no Metro e a devolve à sua proprietária, Greta (Huppert), uma respeitável viúva francesa que vive na maior solidão. A mãe de Frances morreu há um ano, a filha de Greta estuda música em Paris, e a jovem e a senhora acabam por ficar muito amigas. Só que um dia, Frances faz uma descoberta arrepiante em casa de Greta e corta com ela. Greta passa então a persegui-la e a aterrorizá-la, revelando a sua verdadeira personalidade. “Greta — Viúva Solitária” foi escolhido como filme da semana pelo Observador, e pode ler a crítica aqui.

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