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António Costa agradece a cabo-verdianos contributo para progresso de Portugal

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Na véspera da V Cimeira Portugal-Cabo Verde, António Costa destacou a importância da relação entre os dois países. Correia e Silva disse que a união é "impossível de quantificar".

António Costa e Ulisses Correia e Silva falaram na Estufa Fria, em Lisboa

JOSE SENA GOULAO/LUSA

Autor
  • Agência Lusa

O primeiro-ministro, António Costa, agradeceu esta sexta-feira à comunidade cabo-verdiana em Portugal o seu contributo para o “progresso do país” na véspera da cimeira Portugal-Cabo Verde, em Lisboa.

“Não queria começar esta cimeira sem expressar a nossa gratidão a todas e a todos os cabo-verdianos que residem em Portugal e que tanto têm contribuído para o progresso do país”, disse António Costa.

O chefe do executivo português falava, na Estufa Fria, ao lado do primeiro-ministro de Cabo Verde, Ulisses Correia e Silva, e perante uma plateia de ministros portugueses e cabo-verdianos, bem como de membros da comunidade deste país africano. “Cabo Verde não tem 10 ilhas, tem 11 e uma está em Portugal, particularmente na Área Metropolitana de Lisboa”, acrescentou.

Numa cerimónia, que contou com a atuação de um grupo de batucadeiras e da cantora luso-cabo-verdiana Lura, António Costa enalteceu a música cabo-verdiana. “A melhor forma de iniciarmos os trabalhos e celebrarmos esta comunhão de vida com Cabo Verde é com música. Cabo Verde é o país com maior densidade musical per capita”, afirmou Costa.

O primeiro-ministro português considerou que foi a música que, nas últimas décadas, conquistou os portugueses para Cabo Verde e lembrou que longe vão os tempos em que para ouvir música cabo-verdiana era preciso ir ao bar do Bana. “Hoje, em Portugal, basta acordar, para o som de Cabo Verde estar presente entre nós”, salientou.

O chefe do Governo português considerou, por isso, que é preciso continuar a construir a comunidade e a relação que se estabeleceu entre os dois países, particularmente numa altura em que em várias partes do mundo se erguem muros e divisões.

Por seu lado, o primeiro-ministro de Cabo Verde, Ulisses Correia e Silva, elogiou as relações históricas de mais de 500 anos, considerando que vão muito além do valor de 120 milhões de euros do atual programa de cooperação entre os dois países. “A concertação estratégica, diplomática e política tem um valor incomensurável. A relação entre Cabo Verde e Portugal visando a nossa pareceria com a União Europeia não é possível quantificar. A fusão do fado com a morna não tem expressão financeira”, declarou.

Ulisses Correia e Silva destacou também e, no contexto do programa de cooperação, a “transferência de conhecimento” em áreas que vão da saúde à justiça, sustentando que “ultrapassam as relações financeiras”. Ulisses Correia e Silva manifestou, igualmente, o empenho de Cabo Verde em “avançar mais” nesta relação, nomeadamente “na atração de investimentos portugueses”.

O primeiro-ministro cabo-verdiano ofereceu a António Costa um cavaquinho, instrumento associado à morna, estilo musical que Cabo Verde candidatou a Património Imaterial da Humanidade, e pediu “toda a força de Portugal” para ver concretizada, no final deste ano, “essa aspiração”.

Na V Cimeira Portugal-Cabo Verde, que decorre no sábado, os dois países vão assinar 12 acordos de cooperação para o financiamento de projetos nas áreas da educação, saúde, administração pública, justiça ou administração interna. A parceria Cabo Verde-União Europeia, as relações Europa-África, a Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), atualmente presidida por Cabo Verde, e a segurança marítima no Golfo da Guiné serão outros assuntos na agenda.

Os dois governos vão ainda fazer o balanço da execução do Programa de Cooperação Estratégica Portugal-Cabo Verde 2017-2021, assinado há dois anos na cidade da Praia, com um pacote financeiro na ordem dos 120 milhões de euros.

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