Forças Armadas

Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas quer “maior atratividade e retenção” dos militares

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Os ramos das Forças Armadas estão insatisfeitos com o salário e condições de trabalho. O almirante Silva Ribeiro referiu que "em quatro ou cinco anos" será possível ultrapassar a situação.

O almirante Silva Ribeiro defendeu que as Forças Armadas devem competir pelos melhores recursos nacionais

MIGUEL A. LOPES/LUSA

Autor
  • Agência Lusa

O chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas (CEMGFA) afirmou ser necessário criar condições para uma “maior atratividade e retenção” dos militares, referindo que o estudo esta sexta-feira apresentado vai dar “credibilidade” às decisões a tomar.

“Era algo que nós já conhecíamos, mas este estudo tem uma enorme virtude, porque é um estudo feito com base científica e em boa hora foi feito. Vai ajudar a tomar um conjunto de decisões fundamentadas sobre a possibilidade de se criarem condições de maior atratividade e retenção dos militares nas Forças Armadas”, disse o almirante Silva Ribeiro em declarações à Agência Lusa.

Os militares portugueses em regime de voluntariado ou contrato estão insatisfeitos com o percurso profissional nas Forças Armadas (FA), especialmente no Exército, mas os três ramos queixam-se também de baixos salários. As conclusões são de um trabalho que juntou académicos e especialistas do Ministério da Defesa e que esteve na base de um plano de ação para a profissionalização do serviço militar, que é hoje apresentado.

O CEMGFA defendeu que as FA devem competir pelos melhores recursos do país, salientando que para isso é necessário olhar para as condições de prestação do serviço militar, no caso dos voluntários e contratados. “A discrepância de quase 300 euros entre aquilo que era retribuição que um praça recebia no período da recruta e o que recebia um soldado da GNR criava condições de disparidade que têm de ser resolvidas”, salientou.

O almirante Silva Ribeiro defendeu ainda que é que necessário estruturar o serviço militar no regime de contrato até aos 18 anos, explicando que a medida governamental já foi aprovada e falta agora que os ramos das FA definam os processos e especialidades onde vai ocorrer.

Outra questão que o CEMGFA considera essencial é a possibilidade de a Força Aérea e o Exército terem praças do quadro permanente, pois assim “vai dar oportunidades de carreira a quem entra pelos escalões mais baixos”.

Silva Ribeiro referiu ainda que as FA estão autorizadas a ter até 30 a 32 mil militares, mas que neste momento têm apenas 26.700, o que exige mais trabalho aos militares, reiterando a importância do estudo ao dar “credibilidade às decisões que vão ter de ser tomadas”.

“Vai demorar algum tempo, porque primeiro temos de criar condições de atratividade. Este documento mostra as medidas estruturantes, vamos analisar e têm de ser ponderadas devido aos seus custos. Acredito que com esta fundamentação e um bom plano, em quatro ou cinco anos, conseguimos ultrapassar a situação”, concluiu.

O estudo faz uma caracterização sociodemográfica dos militares e o que os motivou a ir para as FA, e na satisfação diz que os níveis “não são muito elevados” quanto ao percurso profissional.

Segundo o trabalho, na Marinha 60% dos militares inquiridos mostraram-se insatisfeitos com o salário, queixando-se também das condições de apoio e das perspetivas de carreira e tarefas que desempenham. No Exército, os militares “mostraram baixos níveis de satisfação na generalidade dos indicadores” e na Força Aérea queixaram-se do fator remuneratório.

Para caracterizar os militares em regime de Voluntariado e Contrato (o estudo incide apenas sobre estes) foram ouvidos 5.136 elementos do Exército, 1.366 da Força Aérea e 819 da Marinha.

O estudo foi coordenado pelo Ministério da Defesa e teve a coordenação científica de Helena Carreiras, especialista em sociologia militar, do ISCTE-IUL.

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