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Degraus sagrados associados à crucificação de Jesus Cristo revelados pela primeira vez em 300 anos

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Os 28 degraus terão sido pisados por Jesus Cristo no caminho que fez para a crucificação. Estavam tapados desde o século XVIII e foram agora restaurados e abertos ao público.

As escadas sagradas que Jesus Cristo terá subido antes de ser sentenciado à crucificação por Pontius Pilate foram restauradas para o seu estado original, quase 300 anos depois. Os degraus estavam tapados desde 1723 e ficarão abertos ao público até 9 de junho.

A Scala Santa, como é denominada, encontra-se perto da basílica de San Giovanni in Laterano, em Roma, e o restauro foi realizado por peritos dos museus do Vaticano. “Esta é a primeira vez em quase 300 anos que os degraus são expostos”, disse Barbara Jatta, diretora dos museus do Vaticano.

O monumento, feito de mármore, estava envolto em madeira desde 1723. Nesse ano, o papa Inocêncio XIII decidiu que os degraus não resistiriam ao desgaste causado por milhões de peregrinos, que por tradição tinham de subir as escadas de joelhos, e optou por tapá-los. Em alguns degraus, há um desgaste de até 15 centímetros, prova das gerações de católicos que por ali passaram e completaram a subida para verem os seus pecados serem perdoados.

Num processo de longo restauro, a madeira que cobria os 28 degraus foi removida e os frescos do século XVI nas paredes e teto foram limpos e devolvidos à sua condição original. As pinturas, encomendadas em 1589 pelo papa Sisto V, estavam negras depois de séculos envoltas em fumo das velas dos peregrinos. Foram utilizadas várias técnicas de restauro para devolver os frescos à sua imagem original, milímetro a milímetro.

“Estes são alguns dos mais importantes, embora menos conhecidos, frescos em Roma. Inauguram uma nova página na arte do século XVII”, frisou Francesco Buranelli, diretor do Museu do Vaticano.

Foram ainda encontradas centenas de manuscritos enfiados nas rachas da madeira, com rezas e pedidos de intervenção divina em casos de doença e tragédias familiares. “Encontrámo-los degrau a degrau, enquanto removíamos as tábuas de madeira”, disse Paolo Violini, coordenador do restauro.

Mas as descobertas mais notáveis nos degraus foram três cruzes antigas, uma feita de bronze e as outras de pedra, que marcam o local onde, como reza a lenda, gotas de sangue de Jesus caíram enquanto o seu corpo era levado até ao topo da escadaria. “Os degraus são feitos de vários tipos de mármore e, ao limpá-los, a sua beleza foi revelada”, referiu um dos restauradores.

O processo de recuperação foi financiado por uma organização de caridade denominada The Patrons of the Arts in the Vatican Museums.

A Scala Santa leva a uma capela denominada Sancta Sanctorum que, outrora, foi uma capela papal privada. O monumento foi agora abençoado por um cardinal, Angelo De Donatis, General da diocese de Roma, depois dos crentes católicos terem subido os degraus de joelhos. “Se fecharmos os olhos, podemos imaginar-nos numa era medieval, na última vez que as pessoas subiram estas escadas de joelhos”, disse Guido Cornini, curador dos museus.

Na sua origem, os degraus levavam ao praetorium, ou tribunal de julgamento, do Palácio de Pontius Pilate, em Jerusalém. No século IV d.C, Helena, a mãe do Imperador Constatino, terá transportado os 28 degraus da Scala Santa, abençoados pelos pés de Cristo, de Jerusalém para Roma.

Os degraus vão ficar expostos ao público nos próximo 60 dias, numa “abertura extraordinária” que dura todo o período da Páscoa, e serão depois cobertos novamente.

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