A vacina BCG, que previne a tuberculose, pode voltar a ser administrada aos bebés logo após o nascimento. De acordo com o Jornal de Notícias, o regresso desta vacina, reservada aos bebés em grupos de risco, pode estar a ser motivado por falhas na deteção da doença, pela morosidade na fase de diagnóstico e pelo aumento de casos detetados nas crianças. Isabel Carvalho, diretora do Programa Nacional para a Tuberculose, confirmou ao JN que “uma das ideias é administrar a vacina o mais precocemente possível na maternidade”.

As maternidades em Lisboa e no Porto serão as primeiras a receber a vacina BCG para administração logo após o nascimento porque é nesses distritos que se verificam mais casos. Antes de ser levada ao resto do país, é preciso dar formação aos médicos e enfermeiros para a poderem administrar: “É preciso que as pessoas saibam fazê-lo, é preciso formar e ainda saber que maternidades vão fazer”. Lisboa e Porto são “prioritárias” porque causam “muita preocupação”: “Há muitos profissionais a reformarem-se e centros de diagnóstico pneumológico a fechar”, alerta Isabel Carvalho em declarações ao JN.

Segundo dados obtidos pelo jornal junto do Programa Nacional para a Tuberculose, em 2018 houve 34 casos em Portugal, quatro dos quais graves. Nenhum estava vacinado. A culpa, aponta Isabel Carvalho, é dos profissionais: “Três tinham critérios” para tomar a vacina, mas “não fizeram a vacina porque os profissionais de saúde não estão a aplicar os critérios corretamente”. Ainda assim, a pneumologista afirma não fazer sentido estender a administração da tuberculose a toda a população: “Não temos benefício de vacinar em massa em sítios de baixa incidência”, explica ao JN.

A vacina BCG não evita o aparecimento da tuberculose, mas diminui a gravidade com que ataca o paciente. Segundo a diretora do Programa Nacional para a Tuberculose, de nada adianta tomar a vacina quando se tem mais de seis anos. Quem deve mesmo levá-la são os recém-nascidos provenientes de países com alta incidência da doença (como Angola, por exemplo) ou as crianças cujos pais estejam infetados com o vírus da sida. Caso os pais tenham tido um historial de tuberculose, então os filhos também devem ser vacinados.